Tecka Santos está de volta a Londrina e comemora a conquista da medalha de bronze na Paralimpíada de 2016, que terminou no último domingo. Entre os londrinenses, presentes nos Jogos Olímpicos e Paralímpicos do Rio de Janeiro, a corredora foi a única a subir no pódio.
Tecka cravou o terceiro melhor tempo (12s840), na prova dos 100 metros rasos, classe T-46 (amputados de membros superiores). O ouro ficou com a americana Deja Young. A londrinense ainda iria correr as provas dos 200 e 400 metros, mas uma lesão muscular na panturrilha, durante o aquecimento para a final dos 400, a tirou das Paralimpíadas. "Foram seis anos de muito trabalho e dedicação. Foi uma longa jornada para conseguir o índice, a convocação e chegar ao resultado final", frisou. "Subir ao pódio na primeira Olimpíada, em casa, foi uma emoção única. Quando vi meu nome no telão, desabei".
Nascida em Caxias, no Maranhão, Terezinha de Jesus Correia Santos chegou a Londrina em 2009 e, dois anos depois, conheceu o atletismo na Universidade Estadual de Londrina (UEL). "Dos 17 aos 29 jogava futebol. E chegou o momento que tive que escolher. A opção pelo atletismo foi um pouco por aptidão, por gosto e também pelas oportunidades que tive", apontou a atleta, de 35 anos.
Oportunidade para que todos tenham acesso ao esporte, aliás, é o que a corredora espera que fique como o grande legado da Rio-2016. "Durante os Jogos, a mãe de uma menina de três anos, com uma perna amputada, me perguntou onde poderia levar a filha para treinar. A Paralimpíada abriu este leque sobre o esporte adaptado. Muitos atletas novos virão pela frente", aposta.
Vítima de um erro médico, Tecka precisou amputar o braço esquerdo, aos oito anos, após sofrer uma fratura, quando brincava com uma prima. A corredora ressaltou que o nível e a intensidade de treinamentos dos paralímpicos se equivalem aos olímpicos e, não é por acaso, que muitas marcas das Paralimpíadas se aproximaram demais das conquistadas nas Olimpíadas. "As pessoas não sabiam como eram os esportes adaptados. Eramos vistos como ‘coitadinhos’ e, hoje, somos considerados super-heróis".
Depois do desgaste da preparação, Tecka sai para um período de merecidas férias, mas a partir de novembro já começa a pensar no futuro. "Ano que vem tem Mundial e 2020 está logo ali", ressaltou. A próxima Paralimpíadas será na capital japonesa, Tóquio, e a corredora estará com 39 anos. "Tenho certeza que posso ter mais um ciclo olímpico em alto nível".