O londrinense Richards Moura, 32 anos, vai para o seu terceiro desafio em alta montanha. Desta vez, encara o Monte Elbrus, na Rússia, elevação mais alta da Europa. Serão sete dias de subida debaixo de muito frio, a uma temperatura de -20 graus. A expedição será solitária, com início nesta segunda-feira.
"O Elbrus é coberto por gelo. Diariamente, pretendo gastar uma média de 14 a 18 horas subindo. Descendo, serão seis horas no mesmo percurso, por ser mais rápido. Ao todo, a previsão é gastar sete dias subindo e dois para descer", espera Richards Moura, personal trainer e treinador de corridas.
O londrinense deixou Londrina no domingo e chegaria durante a noite desta segunda-feira na Rússia, na cidade de Terskol. "Vou escalar o Monte Elbrus. A montanha mais alta da Europa, com cinco mil e 642 metros de altura, localizado na parte ocidental da cordilheira do Cáucaso", detalha Moraes, que já tem no currículo outras duas montanhas, na América Sul e no continente africano.
"É minha primeira vez na Rússia. A minha terceira experiência com alta montanha. As outras foram na Argentina, no Monte Aconcágua, em 2011, com 6.960 metros de altura. Considerado o ponto mais alto fora da Ásia. O outro desafio foi no Monte Quilimanjaro, Tanzânia, ponto mais alto da África, com altura de 5.895 metros", conta o londrinense, que pratica o montanhismo solo. Na sua mochila, ele leva mais de 20 quilos de equipamentos.
Toda a preparação para a próxima empreitada foi feita em Londrina. Parte do treinamento ocorreu dentro de uma câmara fria frigorífica. "Nesta época mais fria, em Londrina, treinei com poucas roupas, tomei banho gelado e nadei em piscina fria também. Parte da preparação foi feita em uma câmara fria, na empresa de um aluno nosso. Além disso, simulei a altitude com uma máscara especial durante os treinamentos. Entre estudos e viabilização da viagem, os gastos ficaram entre R$ 10 e 15 mil", comenta ele.
MEDO e ANSIEDADE
Moura destaca o apoio da esposa e dos dois filhos. Até pedidos de presentes inusitados foram feitos a ele. O difícil vai ser trazer tudo na bagagem. "Os filhos estão empolgados e disseram que querem presentes da Rússia. Disseram para eu trazer um pouco de nuvem para eles. A esposa ficou na ‘briga’ comigo o tempo todo. Me apoiou e ajudou bastante no que pôde", reconhece ele.
Apesar da experiência, Richards admite ter sentido um misto de sensações durante os dias que antecederam a viagem. "Desde a semana passada, já começou a bater um medo e uma ansiedade. Num certo ponto tudo isso é bom. Há muitos que fazem o impossível para chegar ao topo da montanha, mas eu vou bem consciente para esse desafio. Trabalhei muito para chegar lá, mas sem loucura. Pelo contrário, vou com muita responsabilidade. Quero voltar melhor do que estou indo", afirmou Richards antes de embarcar para a Rússia. (P.M.)