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Na justiça

Urgência - Coisa feia na UBS do Maria Cecília

Walkiria Vieira
NOSSODIA
10 out 2016 às 09:03

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Walkiria Vieira
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A falta de médicos e "furos" nas escalas do plantão do atendimento médico na Unidade Básica de Saúde (UBS) do conjunto Maria Cecília, localizada na rua Eugênio Gayon, zona norte de Londrina, levaram o Movimento de Saúde da Região Norte a denunciar a situação ao Ministério Público. "O reconhecimento das falhas dá um alívio", diz o sociólogo e coordenador do Movimento, Admilson Soares Ramos da Cruz, 45 anos. "A participação, o controle e as fiscalização da população são fundamentais para garantir direitos". Morador da região há 36 anos, Cruz considera que mudanças são necessárias para melhorar as condições de atendimento oferecidas aos pacientes. "Seria injusto atribuir qualquer falha ao serviço, mas o funcionamento é precário. Nós queremos que o município construa uma unidade de pronto-atendimento de fato e não mantenha o improviso. Há necessidade de mudança, pois a unidade não comporta atender as 200 mil pessoas da região. Há falta de médicos, ginecologistas, pediatras, a estrutura da enfermaria e dos consultórios não oferecem condições de trabalho. Há buracos nas paredes e fecharam três dias, mas só para tapear. É preciso olhar para a região como ela merece, no plantão no PSF e em todas as demandas que o serviço primário exige." O auxiliar de cartório Ercílio Lucas, 38 anos, é morador do conjunto Luís de Sá e considera justas as reivindicações. Com pressão arterial alterada, passava por triagem. "A população vive as deficiências e deve procurar os órgãos fiscalizadores, até para que toda a equipe se empenhe conjuntamente. Já teve acompanhante que filmou a presença de cinco médicos e só dois trabalhando". O aposentado Edvaldo Bezerra da Silva, 61 anos, considera que as denúncias e reclamações sejam fundamentadas. "Sou diabético, tenho problema no coração e acho que só tem que reclamar com razão, porque entendo quando está lotado, mas de um modo geral o serviço é bom", defende.

Secretário aprova atitude da população
Procurado pela reportagem do NOSSODIA para falar sobre a repercussão da interdição da UBS, o Secretário de Saúde de Londrina, Gilberto Martin, afirmou que a reclamação da população é um direito básico do usuário. "E nosso dever é respeitar e atender as reivindicações e independentemente da interdição, já estamos fazendo um esforço para ampliar a nossa oferta de serviço." Segundo o secretário, de 10 a 15 mil pessoas passam todos os dias pela estrutura de atendimento da Secretária de Saúde. "Antes de mais nada, os 3.400 servidores só existem porque existem usuários, sendo que maciça maioria dos pacientes, 90 a 95%, têm seus problemas solucionados. Os picos de sobrecarga, a ausência de profissionais fogem à programação, não são ideal, mas o importante é que isso não representa o todo e o atendimento não deve ser desqualificado por isso. A participação da população é construtiva, é uma voz a ser considerada e agora que fomos oficialmente notificados respeitaremos o prazo e nossa argumentação será repassada ao Judiciário". Martin adiantou que a Secretária de Saúde está comprometida com o caso. "Temos que discutir o papel da unidade, mas é possível esclarecer que aquela é uma Unidade Básica de Saúde com extensão de horário para reduzir os atendimentos das Unidades de Pronto-Atendimento. Juridicamente, não cabem plantões", esclareceu. (W.V.)


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