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‘UPS’ MARIA CECÍLIA - Zona norte tem Unidade Precária da Saúde

29 nov 2017 às 22:39

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Paulo Monteiro
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A precária estrutura causa mais sofrimento aos usuários da velha Unidade Básica de Saúde (UBS) do Conjunto Maria Cecília, localizado na rua Eugênio Gayon, zona norte de Londrina. Com área total de 432,74 m², o prédio tem mais de 30 anos e exibe marcas de deterioração. Além dos problemas estruturais, a comunidade estaria enfrentando ausências de médicos e medicamentos. O matagal está alto ao redor da UBS, que ainda não possui sequer água gelada no bebedouro e um banheiro feminino em condições de uso. Constrangidas, as mulheres (até grávidas) pedem socorro aos vizinhos.
A situação foi denunciada ao Ministério Público Estadual, que, por meio de ofício, enviou nove questionamentos (problemas) à Secretaria Municipal de Saúde. "Acompanhamos o problema desta unidade há muitos anos. Inclusive entramos com processos judiciais denunciando os problemas, porém recebemos apenas sentenças desfavoráveis", revela o promotor de defesa da saúde pública, Paulo Tavares. "São várias irregularidades, terríveis. Entre elas a falta de médicos plantonistas", adianta ele.
Por meio da 24ª Promotoria de Justiça de Proteção aos Direitos Humanos, à Saúde e à Saúde do Trabalhador, e da Habilitação e Urbanismo de Londrina, o ofício foi encaminhado no dia 11 de outubro. Sem repostas, de acordo com Tavares, o ofício foi reencaminhado no dia 14 de novembro, com prazo de dez dias. "Mas não recebemos qualquer resposta. Aguardaremos uma explicação convincente até a semana que vem", disse o promotor no último dia 28.
De acordo com o portal da Prefeitura de Londrina, a unidade oferece atendimento de enfermagem, clínica médica, pediatria, ginecologia e odontologia infanto-juvenil e gestante. O funcionamento diário ocorre das 7h às 23h. Área de abrangência é de pelo menos 10 bairros: Jardins Itapoã, Primavera e Santa Cruz, Heimtal, Conjuntos Sebastião de Mello, Violin, Ouro Verde e Maria Cecília, Parques Leblon, Industrial José Belinati. Em 2008 recebeu reforma e ampliação. (Paulo Monteiro/NOSSODIA)


Ao menos nove pendências
As irregularidades foram denunciadas pelo Movimento de Saúde da Região Norte. O Ministério Público destaca ao menos nove pendências: autoclave quebrada; radiação solar incidindo nos medicamentos da farmácia; enormes rachaduras no salão, consultórios e enfermaria; buracos nas paredes dos consultórios, na laje do salão, na pós-consulta e no corredor; consultórios sem cortinas; bebedouro com água quente; falta de insumos para a equipe de enfermagem, de modo que a equipe de enfermagem tem improvisado utilizando o material adulto em crianças; ausência de ginecologista; falta de medicamentos controlados, inclusive os cardíacos.
"Com o Sindicato dos Médicos e a Câmara de Vereadores, estamos realizando visitas programadas nas unidades de saúde de Londrina, entre elas no Conjunto Maria Cecília. Porém, a última ocorreu no Pronto Atendimento do Jardim Leonor (zona oeste). Estrutura predial que também está comprometida e necessita de uma reforma ampla", acrescenta Paulo Tavares. (P.M.)

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Pacientes usam banheiro do vizinho
A UBS não possui sequer água gelada e um banheiro feminino. Constrangidas, as mulheres pedem socorro aos vizinhos, conta a dona de casa Angelita de Oliveira, 40 anos, grávida de seis meses. "O banheiro feminino está fechado, somente o dos homens está em uso. Mas não tem papel e é nojento, por isso pedimos ao vizinho do ‘postinho’ para usar o banheiro da casa dele. Recentemente, uma senhora ficou presa no banheiro do ‘postinho’ e tiveram que desparafusar a porta para retirar a coitada", relata. Os pacientes reclamam também do calor no interior do prédio.
Além da situação dos problemas estruturais, Angelita reclama que a unidade não possui médicos especialistas. "É o único posto de saúde com plantonista na região. Mas é um clínico geral. Por não ser ginecologista, muitas vezes não consegue identificar o meu real problema. Ele sempre me receita o mesmo medicamento: paracetamol (analgésico e antifebril)", explica a mulher, que teme pela própria saúde e do filho. "Estou grávida de seis meses e ainda tenho toxoplasmose (doença infecciosa). Só consigo me consultar com um ginecologista no Cismepar (Consórcio Intermunicipal de Saúde do Médio Paranapanema), a cada 45 dias", lamenta a dona de casa. (P.M.)

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Ampliação do prédio
No início da semana, o prefeito Marcelo Belinati reinaugurou a UBS Panissa/Maracanã na região oeste. A unidade passou por reforma para sanar problemas que abalaram o prédio em janeiro de 2016. Durante a solenidade, ele anunciou a reforma de 30 unidades para 2018, em parceria com o governo do Estado, junto com o Pronto Atendimento Infantil (PAI), inaugurado há mais de 20 anos.
No entanto, o secretário de saúde de Londrina, Felippe Machado, não confirma melhorias para a UBS Maria Cecília. "Sabemos da situação da unidade do Conjunto Maria Cecília, que exige um pouco mais de estudo. Ainda não temos condições de fazer qualquer anúncio", informa. "Mas analisamos a possibilidade de ampliar aquele prédio, além da simples reforma. Outra alternativa seria a separação da unidade básica do setor de pronto atendimento, que funciona até as 23 horas", salienta. "Na reforma das 30 unidades serão gastos cerca de R$ 6 milhões, sendo R$ 4 milhões do Estado e outros R$ 2 milhões do município. Não começaremos a reforma das 30 unidades de só uma vez. Parte seria no primeiro trimestre no ano que vem. Queremos definir os locais ainda em 2017", adianta Machado. (Colaborou Rafael Machado/Grupo Folha) (P.M.)


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