Há 25 anos, o mês de outubro é mais especial para os moradores do conjunto União da Vitória, na zona sul de Londrina. Não somente pelo Dias das Crianças, comemorado em 12 de outubro, mas também pela festa dedicada aos pequenos, que é tradicional na região e muito aguardada por todos, principalmente para os meninos e meninas que moram na localidade. A principal responsável pela comemoração é a doméstica aposentada Joanita Lopes da Silva, 57.
Natural de São Sebastião da Amoreira (Norte Pioneiro), ela mudou-se para o conjunto em 1987. Foi vice-presidente da associação de bairros e neste período sentiu a necessidade de fazer algo de concreto pelo bairro. "Começou pequeno e depois cresceu. Antes tínhamos somente o União da Vitória 1 e o 2, os outros estavam iniciando ainda. Também cuidávamos de uma cozinha comunitária, porém essa não tivemos mais como manter. Já a festa para as crianças demos um jeito e não cancelamos", relembra.
A festa acontece todos os anos durante a tarde na rua dos Sapateiros e chega a reunir cerca de 300 crianças do União da Vitória e adjacências. Alimentos e brinquedos são entregues para os homenageados da festa e tudo o que é servido vem de doações. "Muita gente ajuda e corre atrás. Desde quem vive no bairro, até pessoas que nem chegamos a conhecer", destaca. Faltando uma semana para a comemoração, porém, muito ainda está faltando. "O que temos até agora são alguns brinquedos que sobraram do ano passado e guardamos", preocupa-se. (Pedro Marconi/Grupo Folha)
EM BUSCA DE DOAÇÕES
Segundo ela, sem doações, o evento pode ser comprometido. "Faltam ainda os produtos para os lanches, para os pacotinhos de doces e bolos, além de brinquedos em geral. Temos o sonho de sempre oferecer algo a mais, entretanto é um luta todos anos", afirma. Dona Joanita, como é conhecida pelos moradores, já precisou deixar de pagar contas da residência para poder complementar o que faltava para a festa.
Demonstrando o carinho que sente em poder propiciar este momento somente com as palavras, ela conta a sua maior motivação para não deixar de realizar a festa, mesmo com os contratempos. "Moramos em um local que ainda é marcado pela criminalidade e consumo de drogas. Então, se começarmos a valorizá-los e trabalhar com eles quando ainda são novos, conseguimos transformar todos para o bem." (P.M.)