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UNIÃO DA VITÓRIA - Lixão virou pomar nas mãos de Elias

21 set 2015 às 13:16


Após deixar Garanhuns-PE e viajar por cinco dias, junto à mulher e dois filhos, o ex-agente de limpeza Elias Satiro da Silva, 57 anos, chegou a Londrina. Sem um lugar definido para se instalar, levantou a moradia em um terreno ainda desabitado, no extremo Sul da cidade, aos fundos do Jardim União da Vitória. Uma grande área em frente à sua casa era usada para o descarte de lixo e tomada pelo mato alto. Insatisfeito, se armou de uma enxada, algumas mudas e transformou o local em pomar, irrigado com água de uma nascente existente no local.
"Chegamos em Londrina no início da década de 1990, ainda no governo (do ex-presidente Fernando) Collor. Estava um frio danado na época. Nunca tinha sentido nada igual na minha vida", relembra Elias. "Pra piorar, não tínhamos casa, nem roupa na época, mas recebemos muita ajuda. Hoje estou com seis filhos e seis netos", destaca ele, orgulhoso ao ter sobrevivido longe do nordeste e se estabilizado no Norte do Paraná. "Para o homem trabalhador, não há lugar melhor que Londrina", valoriza a região.
Em retribuição ao povo londrinense, ele deixou sua marca no chão até então abandonado do União da Vitória. Mudou a cara do bairro, literalmente. "Este espaço era um lixão, um brejo. Aqui só tinha entulho, mato, terra e bicho morto. Até a nascente que existe aqui estava tomada pela sujeira e eu a recuperei. Abri esta valeta na enxada para escoar a água e irrigar as plantas. Hoje há vários pés de manga, laranja, coco, fruta-do-conde, abacate, cana, goiaba e banana e até verduras", mostra o homem.

Galinhas dão ovos e cachorros cuidam do espaço
Além das frutas, Elias cria galinhas e cachorros no espaço. "As galinhas servem para dar ovos e os cachorros para cuidar daqui", explica ele com os ovos na mão. Grande parte dos alimentos consumidos pela família de Elias sai do terreno. "Quando quero fazer um suco, pego aqui. A minha mistura do almoço e da janta também saem daqui", acrescenta o morador ilustre. Valorizando tanto esforço, a comunidade também preserva o espaço. "Quando os vizinhos me pedem, dou um frango para comer. Mas ninguém rouba aqui não", reforça Elias.
Ele relembra que quando começou a plantar as primeiras foi ironizado pela maioria. "Diziam que este solo era ruim e que só tinha pedra. Então, pergunto, como estas árvores cresceram?"
Elias brinca e se refere ao local como sua chácara. Além de oferecer energia, segundo Elias, o cultivo com as plantas alimentam sua alma. "Estou vivo por milagre de Deus. Sofri seis cirurgias de úlcera e a apendicite estourou várias vezes. O médico disse que se eu sobrevivesse, ficaria internado durante 90 dias. Mas fiquei só 25. Fora tudo isso, ainda perdi grande parte do meu estômago em um acidente. É deste lugar (pomar) que encontro forças para enfrentar as dificuldades da vida", finaliza Elias. (P.M.)


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