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Uma Londrina dentro de Londrina

08 dez 2014 às 08:23

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‘Conheço cada palmo deste chão’
Em um banco na calçada de um cantinho do Conjunto Chefe Newton, na região Norte, o morador Edvaldo Manjeira dos Santos, 73 anos, mistura a poesia da música com a sua própria história. "Eu conheço cada palmo deste chão", garante. Depois de uma vida dedicada ao trabalho, ele agora pode passar as tardes na Rua dos Eletricistas a conversar com os colegas e relembrar de causos e personagens de outros tempos.
Nascido em Jacobina, no extremo Norte da Chapada Diamantina, interior da Bahia, Santos veio para Londrina ainda criança junto com os pais e irmãos. Aqui conheceu a esposa, que é alagoana, e criou quatro filhos, "todos pés vermelhos". "Nesta cidade eu fiz de tudo um pouco. Fui serralheiro, mecânico, taxista, caminhoneiro e também trabalhei com o café", relembra o aposentado.
E ele conta que vive na região Norte há décadas. E durante este tempo, foi conhecendo um ponto aqui, outro acolá, até virar um "expert". "Morei aqui no Cinco Conjuntos no comecinho e também no Conjunto Parigot (de Souza). Vivi em cada pedacinho daqui por algum tempo. Gosto da região por causa do movimento", valoriza Santos.
E nem precisa perguntar se ele pensa em se mudar para outro lado da cidade ou mesmo voltar para sua terra natal. A resposta está na ponta da língua: seu Santos assegura que nunca vai deixar Londrina, a terra que aprendeu a amar. (Paulo Monteiro/NOSSODIA)

‘Floresta’ refresca a Saul

A sensação térmica dentro do viveiro de mudas do senhor Otávio Pinherine, 63 anos, sempre é bem mais agradável que do lado de fora. O ar fresco e convidativo brota da "floresta" que ele plantou na esquina da rua Francisco de Oliveira Leme com a avenida Saul Elkind, no Residencial do Café. Pinherine afirma que sente muito orgulho de seu pedacinho de verde e, nesses 80 anos da cidade, também não esconde seu amor pelo que considera o maior patrimônio da cidade: "o melhor de Londrina é seu povo, sempre muito acolhedor".
Em seu viveiro na Saul, o comerciante cultiva mais de 120 espécies de mudas, das mais variadas cores e essências. Destaque para a rosa de saron, uma planta florífera que, além de chamar a atenção pela beleza, também exala um perfume doce inconfundível.
O sonho de cultivar um viveiro de plantas na região é antigo. Pinherine, que nasceu e sempre morou em Londrina, conta que o desejo surgiu há pelo menos três décadas, de quando ele passava pela região Norte da cidade e só via plantação de café dominando todo o horizonte ainda desocupado de casas. "Trabalhei como fotógrafo e cobri muitas festas, tanto na Warta quanto no Heimtal. Naquela época, já pensava em um dia ter um viveiro de plantas neste lugar e, enfim, pude há três anos colocar a ideia em prática", reforça.
E Pinherine gostou tanto do lado Norte da cidade que acabou se mudando para o Conjunto Parigot de Souza. Ele só não entende muito bem o porquê das pessoas ainda não valorizarem o que vende. "Preferem tomar uma cerveja a comprar uma planta. Não se preocupam com a seca batendo na porta. Mesmo assim, quase ninguém valoriza a natureza", comenta. (Paulo Monteiro/NOSSODIA)


Uma associação para pessoas especiais

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Na região Norte também existem excelentes exemplos de amor e entrega ao próximo. Na avenida Saul Elkind, no Conjunto José Giordano, a Associação Flávia Cristina é a principal entidade em Londrina no atendimento a crianças e adolescentes portadores de necessidades especiais. A escola oferece educação formal adaptada a cada um dos seus mais de 300 alunos.
A entidade nasceu após um drama vivido pela fundadora, a fisioterapeuta Elaine Herrero, que perdeu a filha em um acidente. Por meio da profissão, conheceu bem as dificuldades que pessoas com deficiência enfrentavam e formou a associação (que leva o nome da filha) para oferecer tratamento especializado aos londrinenses que não podiam pagar por isso. De acordo com a diretora Iraídes Oliva Cardoso, além do escolar, hoje a associação presta atendimento psicológico, fonoaudiólogo, psicopedagogo, de terapia ocupacional e de hidroterapia solidária, com acompanhamento médico.
A novidade é que a associação passou a produzir órteses, apoios e estacas de PVC para quem não pode bancar a compra, já que tudo é oferecido por um valor bem abaixo do preço de mercado. Assim, permite que usuários tenham uma evolução mais rápida em seus processos de recuperação. Esses equipamentos ajudam na locomoção de pessoas que sofreram lesões na medula, neurológicas e até vítimas de Acidente Vascular Cerebral (AVC) e que tiveram os movimentos corporais limitados. (Paulo Monteiro/NOSSODIA)

Uma receita de sucesso

Ao conhecer de perto a realidade das comunidades carentes de Londrina, entre outras necessidades, dona Iraci Andrade, 69 anos, notou que muitos necessitavam de uma melhor higiene e procurou a solução para o problema. Aprendeu uma receita caseira e passou a produzir e distribuir sabão para as mães cuidarem da limpeza de casa, das roupas e dos filhos. "Vem daí o nome Projeto Sabão", relata a dona da ideia.
Assim, há 11 anos, ela e o marido Francisco da Costa, 69, iniciaram o atendimento às comunidades da região Norte. Hoje, 60 famílias (sendo 180 crianças de zero a cinco anos) de 20 bairros diferentes frequentam o projeto na avenida Alexandre Santoro, Jardim Alto da Boa Vista. E a cesta de atenção cresceu com o passar dos anos: Hoje, o projeto distribui verduras, frutas, legumes, arroz doce, entre outros itens. Os alimentos são doados por comerciantes e produtores da região. O projeto ainda empresta cadeiras de rodas, muletas e outros aparelhos ortopédicos para quem precisa. "Até uma maca temos aqui. Os aparelhos são emprestados para quem necessita e não tem condições de alugar um", explica Iraci.
No projeto também é realizado diariamente um bazar, onde são vendidos calçados e roupas por R$ 2 às famílias participantes. A renda é usada para comprar alimentos e investir em melhorias. Uma Kombi foi comprada para transportar alimentos e um barracão está sendo levantado para melhor acomodar o pessoal. "O projeto era sonho antigo dela e ajudei a colocá-lo em prática", conta Francisco. "Só tenho a agradecer a Londrina e aos londrinenses. Graças ao apoio de todos posso fazer o que sempre quis na minha vida: uma associação em que pudesse ajudar os outros", conclui Iraci. (Paulo Monteiro/NOSSODIA)


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