A aposentada Gerolisa Rodrigues de Souza, 73 anos, vive de forma simples, em uma casa localizada na rua Charles Lindemberg, Jardim Califórnia, há mais de meio século. "A entrada é pela viela, é um portãozinho cor de café", dá a referência da casa que fica na zona leste de Londrina. À reportagem, a aposentada quer mostrar o estado da casa e que está sofrendo de problemas respiratórios por causa disso. "Tem bolor no banheiro, infiltração e a parede do quarto fica tão gelada! O médico disse que tudo isso é que está me fazendo tão mal". Com oito folhas de receituário e exames de raio-x em mãos, a aposentada diz que se cuida e também é caprichosa com a casa, mas no ponto em que chegou o problema, foge de seu alcance uma solução. "Eu moro aqui faz 56 anos, tempos atrás a Igreja ajudou, mas agora tem até risco de incêndio porque tem uns fios soltos".
Natural de Belo Horizonte-MG, Gerolisa é viúva. Dos quatro filhos, três já faleceram. A aposentada mostra a dieta que a nutricionista passou e que deve seguir. "Uso pouco sal, não bebo leite, mas não tenho leitura. Meu bairro é organizado e o pé de abacate, tem 32 anos, idade do Fábio, meu mais novo, e fui eu que plantei".
Ex-diarista, Gerolisa enfatiza que gosta de limpeza, organização e que o estado da casa, além do mal à saúde, a angustia. "Eu não tenho vergonha de pedir e se alguém pudesse me ajudar com um metro de areia e um milheiro de tijolo, pedra, cal, cimento, ferro, seria uma benção. Aceito de bom coração. Tenho um pedreiro conhecido que se ofereceu, ele cobra R$ 1 mil e esse dinheiro também não tenho. Precisa refazer paredes, arrumar o banheiro. Em casa entra vento, chuva, estou sofrendo dos rins, com pneumonia e bronquite, sinto muita falta de ar e estou proibida de andar, então não posso sair pedindo". Para quem puder ajudar, o contato de dona Gerolisa é (43) 9827-9816.
"A inalação de substâncias orgânicas, como bolor (fungo), também conhecida como umidade, infiltração, bolor de banheiro, pode fazer um processo inflamatório alveolar (pulmão), induzindo a uma doença chamada Pneumonite de Hipersensibilidade ou Eosinofílica e se a exposição for continuada ela evoluiu para Fibrose Pulmonar", explica a médica pneumologista Janne Stella Takahara. A especialista considera o tema pertinente e detalha os sintomas: "falta de ar, produção de secreção, chiado no peito, às vezes febre baixa." O primordial no tratamento é a retirada da exposição ao agente causador, além de medicações especificas. "A prevenção é não ter ambiente úmidos, resolver o bolor de banheiro, manter a casa ou ambiente de trabalho ventilados, resolver as infiltrações", enfatiza. (W.V.)