O suposto ataque a um motorista em Londrina ganhou as páginas policiais na última semana. A ação foi batizada de "travesti voador", onde alguns profissionais do sexo estariam invadindo carros no Centro e extorquindo motoristas. As vítimas seriam forçadas a fazer pagamentos sob a ameaça de serem constrangidas. As próprias travestis entrevistadas pelo NOSSODIA divergem sobre a situação.
O último caso em evidência teve iniciou na Avenida Leste Oeste, Jardim Shangri-lá, e o final na Tiradentes. Policiais militares foram acionados e se depararam com uma travesti, de 24 anos, em frente a um banco localizado na via. No interior do estabelecimento havia um homem de 30 anos, que teria acionado a PM.
O soldado Fernando Toshio atendeu à ocorrência. "A versão da travesti é que o homem a convidou na Leste-Oeste, realizou um programa com ela e não tinha todo o dinheiro para pagá-la. Por isso, teriam ido à agência bancária retirar a quantia restante", explicou Toshio. "Já o homem afirmou que tinha deixado sua esposa minutos antes no Terminal da Zona Oeste, na mesma avenida, e acabou sendo surpreendido ao parar o carro em um semáforo. A travesti teria invadido seu veículo com uma faca, exigindo dinheiro e o ameaçando. Porém, nem a arma, nem o dinheiro foram encontrados com o travesti", contou o policial, que encaminhou os dois ao 3° Distrito Policial.
"Onde foi registrado uma ‘notícia de fato futuro’. Caso outro desentendimento entre eles aconteça, a Polícia Civil já possui informações sobre os envolvidos. Ninguém ficou preso", explicou ele, admitindo já ter atendido ocorrências semelhantes. "Atendemos casos parecidos em motéis, de clientes que teriam saído com travestis e não pagaram pelos programas", completou o PM.
‘Somos vítimas, não bandidas’
Para evitar represálias, as entrevistadas pediram para não ser identificadas. No texto, serão chamadas por nomes fictícios. Atendendo durante todo o dia na esquina entre a Leste-Oeste e a Rua Eça de Queiros, onde a confusão acima teria começado, Maíra, uma travesti de 33 anos, ressalta acreditar na versão da colega de trabalho. "Eu não vi, mas acredito que o ‘cara’ pegou a menina, fez o programa e não tinha dinheiro para pagar. Ela (travesti) é de Sergipe, chegou em Londrina há poucos dias", defendeu. "Mas está fácil para a Polícia resolver este caso. Aqui é cheio de câmeras. Olha. É só resgatarem as imagens gravadas que descobrirão quem está mentindo", mostrou transexual os equipamentos de vigilância instalados na esquina. "Somos vítimas, não bandidas. Eu mesma fui assaltada três vezes nos últimos dois meses", completou.
Já Gerusa, de 29 anos, que atende em seu próprio imóvel para evitar a violência das ruas, discorda e relata que um dos seus clientes também foi vítima de um ataque parecido. "Infelizmente, algumas travestis têm este comportamento. Chegam de outras cidades, aprontam bastante e passam pouco tempo em Londrina. Dias atrás, um cliente me contou que passou pela Leste-Oeste e perguntou para a travesti o preço do programa. Ela falou um valor muito alto e meu cliente a dispensou. Em seguida, a travesti abriu a porta do carro dele, tirou a chave da ignição e tentou pegar sua carteira. Ainda por cima, fez ameaças. Disse que faria um escândalo caso não entregasse o dinheiro. Ele não teve outra oportunidade a não ser entregar o que tinha na carteira." (P.M.)
Teve rolo em Arapongas também
Ainda na semana passada, em Arapongas, um assessor de vereador da Câmara do Município também se envolveu em confusão com dois travestis. Os três foram parar na delegacia. Os travestis alegam que tiveram os serviços contratados pelo valor de R$ 100, mas que depois de realizado o cliente teria se negado a pagá-los. Já o assessor do vereador afirma que teve seu carro roubado pela dupla.