O Santos Futebol Clube é reconhecido por formar grandes craques para o futebol mundial, entre eles o atacante Neymar, hoje no Barcelona. Posição de destaque na maior parte dos triunfos de uma equipe. Lá do outro lado do campo, longe do assédio da torcida e muitas vezes responsabilizado pelas derrotas, ao contrário dos demais jogadores, vem o goleiro. E é nesta posição, ingrata, que o londrinense Osvaldo Cupini, de 14 anos, o mais novo integrante dos "meninos da Vila", quer um dia se tornar ídolo do peixe, que hoje, tem como camisa 1, o também pé-vermelho Vanderlei, que é de Porecatu.
Nascido e criado no distrito da Warta, região norte de Londrina, o jovem arrumou as malas e partiu para cidade de Santos, no litoral paulista, e há cinco meses mora no estádio da Vila Belmiro. "Literalmente, basta abrir algumas portas para chegar ao gramado da Vila Belmiro. O nosso alojamento fica ali. Não perco um jogo do time profissional", contou o goleiro da equipe sub-14 do clube. "Estamos disputando o Campeonato Paulista, competição que o Santos tem a melhor campanha e o melhor ataque. Em breve disputaremos também a Copa Zico, no Rio de Janeiro, com os melhores clubes do país", adiantou ele, que passou a última semana junto à família, para matar a saudade dos pais e amigos. Nesta segunda-feira ele retorna para o litoral paulista.
Apesar da pouca idade, Osvaldo já possui passagem em outro grande time do futebol brasileiro, o Grêmio-RS, onde atuou em 2015. Mas é no Peixe que ele realmente se sente em casa. O garoto ressalta que possui toda a estrutura para se desenvolver embaixo do travessão. "O CT do Santos possui uma estrutura muito boa, com apoio de nutricionistas, psicólogos e outros profissionais para dar completo respaldo ao atleta", comentou Osvaldo, que tem como referência no futebol o arqueiro Manuel Neuer, multicampeão pela seleção alemã e pelo Bayern de Munique.
O convite para defender o alvinegro praiano surgiu após Osvaldo sujar muitas camisas no campo do Centro de Formação de Futebol "01", em Londrina, do ex-goleiro Francisco Alencar, que atuou no Londrina, no início da década de 1990, e foi suplente de Rogério Ceni no São Paulo por anos. "A experiência que tive com o Alencar foi essencial, me ajudou muito quando cheguei ao Santos. Além do aprendizado, a exigência do Alencar é parecida com a que o Santos tem com seus jogadores. Foi aqui (na 01) que aprendi a ser goleiro, pois a dificuldade da posição sempre foi destacada pelo Alencar", reconheceu Osvaldo, que treinou no centro por dois anos.
Orgulhoso do "pupilo", Alencar foi contatado pelo Peixe no início do ano, quando o clube procurava um goleiro com perfil próximo ao de Osvaldo. "O Santos é reconhecido por formar ótimos jogadores de ataque, mas hoje também possui um centro de referência de goleiros da Vila, pois agora tem a proposta de formar bons jogadores embaixo da trave. O clube nos solicitou um garoto com o perfil de Osvaldo, que possui boa altura, atitude, tem vivência e quer evoluir muito como atleta", explicou o professor.
Alencar ressalta que nem todo aluno terá condições de chegar a um grande clube e que por isso busca desenvolver o atleta em âmbito social, além de estimular o trabalho em equipe e a disciplina. "Não vendemos sonhos, trabalhamos com oportunidades reais, não enganamos ninguém. Não adianta encaminhar um atleta sem condições para um clube grande, sou procurado pelo boa formação dos meus alunos", ressaltou.
Diferente da sua época, quando o goleiro era cobrado apenas pelas defesas, Alencar revela que hoje os grandes times esperam muito mais. "Atualmente o mercado não exige apenas um goleiro que faça boas defesas, o defensor tem de saber jogar bem com os dois pés. Aqui sempre cobramos isso de nossos alunos e, como Osvaldo, quando a oportunidade aparece, o garoto deve estar preparado para aproveitar", salienta o professor. (P.M.)
Sonho e saudade
Um dos principais incentivadores de Osvaldo é o comerciante Valdir Cupini, o seu pai. Apaixonado por futebol e incentivador do esporte amador na Warta, ele diz que objetivo inicial do filho era apenas perder peso. "No início não tínhamos a expectativa de que daria certo. Ele começou na escola de goleiros para ganhar condicionamento físico, pois estava meio gordinho. No início era para perder peso, ele queria mesmo era lutar Taekwondo, mas eu não queria. O Osvaldo chegou com 1,80m de altura e 85kg. Hoje, tem 1,93m e 78kg", revelou Valdir.
Apesar da satisfação em acompanhar o filho evoluindo no esporte, Valdir admite que a saudade machuca. "Todo pai sonha em ter um filho jogador, mas não imagina o que um pai paga ficando longe dele. É muto difícil", contou ele. "Conversamos sobre esse salto na sua carreira, que é muito grande. É uma oportunidade única, mas a nossa principal preocupação é que ele continue tendo uma boa formação como pessoa, se torne um homem de caráter, leve os estudos a sério, pois o futebol não dura para sempre", reforçou o pai. (P.M.)