Parte do Bosque Central de Londrina está sem iluminação por causa do furto de 100 metros de cabo de energia da Sercomtel Iluminação. O ato de vandalismo ocorreu na madrugada de quarta-feira (27) e prejudicou toda a iluminação interna, entre o zerinho (pista de caminhada) até a travessa Padre Eugênio Herter, na Catedral Metropolitana de Londrina.
Na manhã de quarta, técnicos da Sercomtel começaram o trabalho de recuperação, que deve durar até a próxima semana, e estimam um prejuízo de cerca de R$ 1 mil em materiais. Para levar o cabo de cobre, os vândalos destruíram três quadros de energia que abastecem os postes.
"Vamos ter que refazer todo o quadro e a expectativa é da iluminação retornar em cinco dias. Vamos dar prioridade para o zerinho, local de maior passagem de pedestres. A iluminação externa está funcionando normalmente. O comprometimento foram nas lâmpadas internas", ressaltou Roberto Santiago, gerente de Operações da Sercomtel Iluminação.
De acordo com ele, 70 pontos internos do Bosque estão sem energia, comprometendo ainda mais a segurança do local. "Essa área já não é muito movimentada à noite, justamente pelas pessoas acharem perigoso. Isso acaba favorecendo este tipo de vandalismo", afirmou.
Em todo o Bosque, são dois quadros de energia que alimentam os postes de iluminação. O que foi danificado fica em frente à Biblioteca Municipal, onde não tem tanta visibilidade por quem passa à noite pela avenida Rio de Janeiro. (Micaela Orikasa/Grupo Folha)

BALANÇO
Essa é a primeira ocorrência de 2018 de furto de cabos de energia da Sercomtel. Em 2017 foram 11 atos como esse, totalizando mais de 1.200 metros de cabo levados. Um deles ocorreu na Praça Concepcione Del Paraguay, na avenida Anália Franco (zona leste). Em abril, foram levados 300 metros de cabo de energia subterrâneo. Já na Praça Tomi Nakagawa, na rua Benjamin Constant (região central), o prejuízo foi maior, pois os ladrões levaram 150 metros de cabos, além de contadores, disjuntores e temporizadores, no mês de setembro. Considerando os registros de furtos de cabo de telefonia e internet, o número é ainda maior. Segundo levantamento da Sercomtel, divulgado em dezembro de 2017, foram 58 ações criminosas, representando um prejuízo total de mais de R$ 443 mil (materiais e mão de obra). Segundo o gerente de Operações da empresa, para tentar reduzir os furtos de cabos, a caixa de passagem dos cabos em determinados locais está recebendo concreto. "Em muitas praças, o quadro de comando é no alto, o que já dificulta o acesso, mas no caso do Bosque, por demandar uma carga muito grande, o quadro é maior e por isso é fixado no solo", afirmou. (M.O.)
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PATRULHAMENTO
O secretário municipal de Defesa Social, Evaristo Kuceki, informou que intensificará a ronda no local para aumentar a segurança. "Também vamos checar as imagens das câmeras instaladas ao redor da Catedral para tentar identificar os autores (do furto dos cabos de energia)", garantiu. Segundo ele, o posto da Guarda Municipal fixado no Bosque Central está inativo porque as equipes são responsáveis pelo patrulhamento de outros 380 prédios públicos. "Temos hoje 340 guardas municipais, mas que se dividem entre turnos, fora as ausências, como férias, licença, entre outros. Por dia, contamos com aproximadamente 60 guardas." (M.O.)
Moradores reclamam da falta de segurança
Entre os principais prejudicados com a escuridão e outros problemas do Bosque Municipal estão os fiéis da Catedral Metropolitana de Londrina, que é vizinha ao espaço. Com missas no início das manhãs e final das tardes diariamente, os paroquianos da Paróquia Sagrado Coração de Jesus veem os trajetos para ir à igreja limitados por conta de possíveis situações desagradáveis que podem ser encontradas. Para o padre Rafael Solano Duran, pároco da Catedral, o Bosque não chega a ser inseguro, porém se tornou um local isolado e sem contato com a comunidade. "Poucos são os que entram neste lugar. Além disso temos a questão do mau cheiro provocado pelas pombas, que fica pior quando chove", afirmou o padre. Como forma de melhorar a ambientação, integrantes da paróquia, junto com o Rotary Clube, programaram para o dia 18 de maio um ato em que orquídeas serão plantadas. "A sociedade precisa tomar consciência e ver o Bosque como um pulmão da cidade. Os cidadãos parecem não estar mais organizados. A solução é entrarmos em comunhão com o ambiente que queremos e não simplesmente desprezar", apontou. Sempre atravessando o espaço público durante o dia, o advogado Yuri Vargas acredita que um maior policiamento pode ajudar na questão do perigo. "Este local é mal frequentado e mal cuidado", classificou. O casal Maria Cleuza Grijolli e Ronaldo Oliveira caminha todos as manhãs na pista do Bosque. Eles afirmam não terem coragem de passar pelo local durante a noite. "Não passamos nem perto. Tem muito malandro rondando por aqui", comentou Grijolli. (Micaela Orikasa e Pedro Marconi/Grupo Folha)