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UFC na balada - Jovens dizem que foram espancados por seguranças de casa noturna

19 set 2018 às 19:43

"Só lembro de levar um último soco na cara, já caído no chão. Aquilo pra mim foi desumano". Essas são as palavras do jovem Arthur Brunetti, de 23 anos, que acusa seguranças da boate Level Dois Club, de Londrina, de terem o espancado no último domingo (16). Ele é estudante de marketing na Inglaterra e barman em um hotel no País de Gales. Morando fora do país há oito anos, o jovem não vinha ao Brasil visitar os parentes há quatro. E a experiência não foi nada boa.
Brunetti disse ao NOSSODIA que naquela noite saiu para se divertir com mais três amigos e foram até a boate, que fica próxima ao Lago Igapó II. O grupo chegou por volta das 2h e a treta teria começado na hora de pagar a conta, por volta das 4h45. "A noite estava super tranquila. Éramos os próximos da fila para pagar, quando os seguranças empurraram todo mundo para um mesmo lado, para um grupo que estava na área VIP passar na nossa frente", contou.
Incomodados, Arthur, os amigos e o restante dos que estavam na boate começaram a reclamar. "Falamos que era sacanagem, que não era certo. Lembro de discussões, mas não estava envolvido, nem meus amigos", relatou. Um amigo foi falar com os seguranças e as agressões teriam começado. "Deram uma gravata no meu amigo e minha primeira reação foi de tentar tirá-lo de lá, mas também recebi uma gravata". Segundo ele, que já estava com as "pernas bambas" e "perdendo o ar", foi preciso a intervenção de outro funcionário para ficar livrar do golpe.
Ainda indignado, o grupo voltou a procurar os seguranças e o que estava ruim, piorou. "Um segurança partiu para cima de mim, me deu um soco muito forte e eu tentei me proteger o empurrando. Outros seguranças começaram a me dar socos e pontapés", declarou Arthur, que achou uma brecha para escapar das agressões. "Só queria voltar para a fila. Em momento nenhum corri para sair da boate sem pagar".
Um terceiro round ainda teria acontecido. "Um segurança que não estava vestido como os outros me deu um golpe no olho, não sei se foi chute ou soco, que me jogou muito longe. Fui parar debaixo de uma mesa, quando outro segurança montou em mim. Só me lembro de pedir para ele parar", revelou. Depois de pagar a conta e sair da boate, Arthur disse só se lembrar de receber ajuda com gelo e de estar com o nariz sangrando. "Fui levado para uma UPA para receber atendimento e depois fiz o Boletim de Ocorrência".
Ele lamentou o caso. "Fico chocado por ser minha cidade. Já morei em outros países da Europa e também nos Estados Unidos. O sentimento é de tristeza por ver o estado que minha família ficou quando me viu daquele jeito, com o olho roxo e a camiseta rasgada e cheia de sangue. O Brasil já não tem boa fama lá fora e ainda acontece uma coisa dessas. É triste demais", finalizou Arthur, que teve que adiar sua volta à terra da rainha - que seria na terça-feira (18), para se recuperar dos ferimentos. (Edson Neves/NOSSODIA)


Amigo confirma agressão
Junto de Arthur naquela noite estava Vitor Castro. Ele conta que foi um dos que tentou separar a vítima do segurança que aplicava uma gravata. "Não vi como tudo começou, pois estava imobilizado. Consegui ver apenas o Brunetti levando murros e depois no chão, pedindo para que parassem de bater nele e, mesmo assim, ainda levou um soco no rosto". Frequentador daquela balada há anos, Vitor disse ser a primeira vez que foi alvo de uma atitude destas. "Há uns quatro anos ia na 2800 (antigo nome da Level Dois Club). Nunca tinha ocorrido isso, nem com meus amigos. Mas de uns tempos pra cá não frequentava. Fiquei realmente bem chateado. Nunca que eu esperava algo assim. Não deveria acontecer em nenhum momento", lamentou. (E.N).

Em nota, boate promete ‘esclarecer ocorrido’
O estabelecimento publicou na noite de terça-feira (18) uma tentativa de esclarecimento em sua página no Facebook. "Com relação às informações divulgadas pela imprensa, blogs e redes sociais, acerca dos fatos apontados na Level 2, no último final de semana, esclarecemos a nossos clientes e à comunidade em geral o seguinte: Que a empresa citada nos fatos está em atividade contínua desde junho de 2009, a Level 2 é uma casa noturna que sempre primou pelo bom atendimento, qualidade e principalmente pelo cumprimento das normas, resoluções e leis que norteiam nossas atividades, motivo pelo qual investimos pesado para nos adequarmos, e prestar um excelente serviço a nossos clientes. Também cabe afirmar que não toleramos nenhum tipo de violência, assédio moral ou sexual, homofobia e racismo dentro de nossa casa, o respeito pelos nossos clientes esta em primeiro lugar. A Level 2 é uma Casa Noturna com ambiente agradável, divertido e descontraído. Entretanto, por ser aberto ao público em geral, não está livre de que aconteçam desentendimentos entre seus clientes, motivo pelo qual existe em prontidão uma equipe de seguranças terceirizados que prestam serviços para nós. Diante de toda polêmica, não vamos medir esforços em ajudar no esclarecimento do ocorrido", diz a nota. O NOSSODIA tentou contato com os sócios da boate, mas não obteve retorno até o fechamento desta edição. (E.N.)


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