Um dos moradores mais tradicionais do bairro, o idoso Ortiz Martins vive e possui uma floricultura em frente à praça. Ele conta os momentos de aflição no local. "Quando se aproxima das 18 horas, eu largo tudo. Passo o cadeado e a corrente no portão e me tranco dentro de casa, que fica aos fundos da loja", comenta ele. "Mas o barulho e a fumaça incomodam bastante. Sinto-me sufocado, mas não há o que fazer. Eles (vândalos) é que mandam aqui", conta ele. "Acontece de tudo nessa praça. Eles fazem sexo, usam drogas e ainda ficam tocando rock. Trazem até instrumentos", relembra.
Após a semana inteira cultivando flores e atendendo aos clientes, Martins lamenta não ter condições para repousar durante os sábados e domingos. "De sexta-feira para sábado e de sábado para domingo, a ‘coisa’ pega fogo nessa praça. Já teve dias de acumular umas 80 pessoas nela", relata. "Eles urinam nos muros e portões dos comércios e casas ao redor."
A rua Humaitá possui também outras duas praças. A dona de casa Ediceia Magalhães relembra que o mesmo "bando" tentou se apoderar da área localizada em frente ao seu imóvel. Porém a ideia não deu muito certo. "Começaram a usar drogas aqui em frente, a poucos metros da minha casa. Não suportei aquilo e usei um pedaço de pau para expulsá-los", relembra a corajosa mulher.
"São vários bandos de loucos. Às vezes o grupo coloca roupas, toalhas no chão e chega a deitar para usar drogas, tranquilamente. Eles gostam de ficar bem à vontade", conta a dona de casa, afirmando que compreende o drama dos moradores da praça vizinha, entre as ruas Montese e Paranaguá. "Moro no quarteirão debaixo, mas sinto-me incomodada quando passo por aquele trecho a caminho do supermercado. Fico com dó dos moradores que vivem por lá. É constrangedor. Dá nojo de ver o que os vândalos aprontam naquela praça", ressalta Ediceia. (P.M.)
Tomados por substâncias encorajadoras
De acordo com o morador, se não bastasse o incomodo causado, tomados por substâncias encorajadoras, parte dos frequentadores enfrenta qualquer um que se atreva a acabar com o "barato" da galera. "Drogados, eles encaram qualquer um. Até mesmo a polícia, que apareceu algumas vezes. Se algum morador reclamar, toma uma garrafada ou pedradas na cabeça", relata o antigo morador.
O idoso conclui dizendo que alguns ainda cometem pequenos delitos. "Olha como estão os muros e paredes em volta", aponta ele. "Tem comerciante que já pintou suas paredes por cinco vezes. Até desistir depois de tantos rabiscos. Os frequentadores já levaram até as plantas da minha loja. Um deles tentou puxar, mas o vaso estava no lado dentro do quintal e enroscou no portão. Mesmo assim ele levou a flor com a terra e tudo", lamenta Martins. (P.M.)
PM e GM
A situação foi encaminhada para a Guarda Municipal (GM), que realiza patrulhamento de ruas e espaços públicos de Londrina. O setor operacional enfatiza que a comunidade deve reforçar o contato, solicitando a presença dos agentes, para que uma equipe seja deslocada para o local. Independentemente de horário e dia. O setor ressalta que a GM não possui efetivo suficiente para permanecer na praça o tempo todo, mas que estará sempre à disposição dos moradores pelo telefone 153. Já a Polícia Militar, por meio do setor de comunicação do 5° Batalhão, afirma que o trabalho de abordagem é realizado no local. No entanto, entende que existe a necessidade de políticas públicas e sociais para atender usuários de drogas. A PM ressalta que a comunidade pode solicitar a presença policial pelo telefone 190. (P.M.)