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Cavalos soltos pela cidade

TRISTE REALIDADE - Perigo vem a galope na zona norte

Paulo Monteiro
NOSSODIA
25 jun 2017 às 23:11

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Paulo Monteiro
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Apesar de bela, a imagem dos 13 cavalos correndo sobre uma plantação, no fim da tarde fria, causava medo nos motoristas e pedestres que circulavam pela avenida Saul Elkind, entre os bairros Vista Bela e São Jorge, zona norte de Londrina. Livre, a manada estava a poucos metros da via mais movimentada da região. De acordo com os moradores, acidentes envolvendo animais de grande porte ocorrem com frequência.
No início da semana, um casal de motociclistas ficou ferido após colidir com um cavalo. Por volta das 23 horas de segunda (19), o bicho galopava desordenado junto a outros pela rua Antônio Marcelino de Oliveira, Jardim São Jorge. As vítimas (de 23 e 27 anos) precisaram ser socorridas pelo Siate e encaminhadas ao hospital.
Segundo a população, a situação é comum nas proximidades. Há muitos terrenos vazios e plantações. Os animais aproveitam a vegetação para comer. Como não estão presos, circulam livremente em busca de um pasto "pra chamar de seu" e atravessam as vias, conta o entregador Antony Messias dos Reis. "Fica pior depois que anoitece. Quando menos se espera, escutamos barulhos de galopes. De repente, aparece um cavalo saindo da escuridão e atravessa a Saul Elkind", revela.
Ao lado da avenida, feridos e desnutridos, alguns dos cavalos soltos tinham pedaços de cordas em volta do pescoço. Entre os bairros Vista Bela e São Jorge, aparentemente, a manada havia invadido uma plantação de aveia. O local tinha uma frágil cerca de arame, que não tinha a menor condição de conter o avanço dos animais.
A alguns quilômetros dali, até o canteiro da avenida Leste-Oeste virou pasto. Na tarde de terça (20), amarrados em árvores, três cavalos faziam um banquete ao lado do terminal da zona oeste.

Maus-tratos e abandono
Além de explorados, puxando cargas sob o sol forte, cavalos morrem nas ruas da cidade durante acidentes. "Sempre tem um outro cavalo solto por aqui. É uma pena. Além do medo de acidente, sinto muita dó desses bichos. Tem carroceiro que chicoteia o animal quando ele tenta diminuir a velocidade, já sem forças", comenta o autônomo Vagner Alencar da Rosa, que vende frutas na avenida Saul Elkind. "As pessoas usam eles durante muito tempo para puxar carroça e charrete. Depois que o bicho fica doente de tanto sofrer, soltam ele por aí", relata.
A Lei Federal Nº 9.605 pode punir severamente o agressor do animal. Segundo o artigo 32, praticar ato de abuso, maus-tratos, ferir ou mutilar animais silvestres, domésticos ou domesticados, nativos ou exóticos, prevê pena de detenção de três meses a um ano e multa. Segundo o primeiro parágrafo, incorre na mesma penas quem realiza experiência dolorosa ou cruel em animal vivo, ainda que para fins didáticos ou científicos, quando existirem recursos alternativos. O segundo parágrafo destaca que a pena é aumentada de um sexto a um terço, se ocorre a morte do animal. (P.M.)

Recolhimento já supera 2016

A secretária municipal do Meio Ambiente (SEMA), Roberta Silveira Queiroz, adianta que tem recebido queixas sobre o problema na região norte. "Agimos de imediato, com apreensões. Uma empresa terceirizada foi contratada para recolher os animais de grande porte. Nos primeiros quatro meses de 2017, a quantidade de animais apreendidos superou o dobro de todo o ano passado", explica.
Roberta afirma que o município trabalha para dar fim na situação e evitar que mais acidentes sejam causados pelos animais soltos. "Estamos mapeando toda a cidade para identificá-los, porém há áreas mais problemáticas", comenta. "Para o início de 2018, o Código de Posturas do município pretende extinguir a criação e o uso de tração animal em área urbana. Atualmente, 70% desses animais são usados para lazer", salienta a secretária. Além dos acidentes, Roberta enumera outros transtornos. "Boa parte dos animais de grande porte vive em fundos de vale. Abandonados, danificam áreas de preservação, além de ser um vetor do carrapato. Impactando assim na saúde pública", acrescenta. Para denúncias, o telefone da Sema é 3372-4774, disponível das 8h às 18 horas. O contato pode ocorrer ainda pelo e-mail: [email protected]. (P.M.)


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