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TREM FANTASMA - Vagões viram abrigos para a Dengue

Paulo Monteiro
NOSSODIA
28 dez 2016 às 23:54

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O Aedes aegypti (mosquito da Dengue) não avisa o local e nem a hora que vai atacar. Age de surpresa e não dá chances para a vítima se defender. Enfim, evitar a picada é quase impossível. No entanto, impedir a reprodução do mosquito ainda é possível. O problema é que a água pode acumular nos lugares mais inóspitos. Em Cambé, por exemplo, o Aedes aegypti pode tranquilamente se desenvolver nos vagões de trem. Espaço que ainda pode servir de esconderijo para criminosos e brincadeiras perigosas.
Após a denúncia de um leitor, o NOSSODIA confirmou a situação no local. Os carros do transporte ferroviário ficam a poucos metros da antiga estação ferroviária do município, entre as ruas Belo Horizonte e Curitiba, na Vila Mesquita, região central de Cambé. Ao lado da linha férrea há pelo menos quatro vagões, que aparentam estar danificados. Alguns deles estão abertos e com água acumulando na superfície.
"A falta de conscientização da população é um dos obstáculos para a redução do mosquito da Dengue, mas a culpa nem sempre é da comunidade. Pelo menos neste caso, fica evidente a omissão da ALL (América Latina Logística) e dos órgãos públicos responsáveis pela fiscalização", diz o estudante Kleber Renato dos Santos.
Segundo ele, além da proliferação do mosquito, os vagões podem servir de abrigo para criminosos. "Bandidos podem se esconder facilmente neste lugar e surpreender a vítima quando ela passa pela calçada. O mato ainda cresce em volta deles, deixando tudo mais perigoso", alerta o leitor. Os vagões ficam a cerca de 10 metros das moradias da rua Curitiba.

Alguns deles estão abertos e com água acumulando na superfície
Alguns deles estão abertos e com água acumulando na superfície


Aí não é lugar de criança
Morando na região há 55 anos, o motorista autônomo Ricardo Domingos, de 70 anos, diz que os vagões foram deixados no local há pelo menos um ano. "Me lembro que alguns desses vagões estavam carregados e acabaram tombando por aqui. A empresa responsável retirou toda a carga deles e os ‘estacionou’ aí. Isso aconteceu há mais de um ano, com certeza, mas até hoje não retiram eles daí", relata Domingos, que mora em frente. "Muitas crianças, depois que deixam a escola, acabam subindo, entrando e pulando de um vagão para outro. Algumas caem de vez em quando e se machucam. É um perigo danado para toda a comunidade", reforça o motorista. (P.M.)


Motorista autônomo Ricardo Domingos, de 70 anos, diz que os vagões foram deixados no local há pelo menos um ano
Motorista autônomo Ricardo Domingos, de 70 anos, diz que os vagões foram deixados no local há pelo menos um ano

Vigilância Sanitária
O caso foi encaminhado ao chefe da Vigilância Sanitária de Cambé, Maurício Gomes Rocha Neto. Ele explicou que no passado já havia notificado a mesma empresa sobre o risco de água parada nos vagões da companhia e, que na ocasião, os veículos de carga foram retirados do local. No entanto, de acordo com Rocha Neto, o município ainda não tinha sido comunicado sobre o problema atual. Ele afirmou que iria averiguar a situação no região e, caso se confirme o acumulo de água sobre os vagões, iria novamente notificar a empresa proprietária.
Desde a última segunda-feira, o NOSSODIA tentou entrar em contato com a assessoria de comunicação da Rumo/América Latina Logística (nova companhia, resultante da fusão entre Rumo e ALL), empresa responsável pela logística de base ferroviária e pela manutenção da linha férrea. Porém não conseguiu uma resposta sobre o caso até o fechamento desta edição. (P.M.)


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