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Travessia do medo

TRAVESSIA PRA LÁ DE ARRISCADA - População exige passagem sob linha férrea

Paulo Monteiro
NOSSODIA
20 jun 2016 às 08:43

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Paulo Monteiro
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Perigoso, escuro, demorado, acidentado e de difícil acesso. Assim os moradores definem o trecho para atravessar a linha férrea entre os Jardins Santa Rita e Santo André, na divisa das zonas oeste e norte de Londrina. Por esses e outros motivos, os moradores da região exigem da administração municipal, a construção de uma passagem subterrânea ou uma passarela sobre a linha de trem. Enquanto isso não ocorre, idosos e pais com crianças continuam correndo riscos no local.
Diariamente, nos fins de tarde, a dona de casa Heloísa Aparecida Neres busca a netinha, de um ano e meio, numa creche no Jardim Leonor. Ela é obrigada a colocar a vida da criança em perigo para realizar a travessia. Para evitar uma queda, primeiramente ela deixa o bebê sobre a linha de trem e leva a bolsa e o carrinho até a lateral da rua São Benedito. Na sequência, retorna à linha para buscar a neta. "É muito perigoso descer essa escada com ela no colo. É muito íngreme, cheia de buracos, posso cair e machucar nós dois. Não tem outro jeito para chegar ao outro lado", lamenta a dona de casa.
Realidade também da técnica em enfermagem Marta Fernandes, moradora do Jardim Santo André, zona norte. Ela ultrapassa a linha férrea para buscar o filho na escola em um bairro vizinho, também na região oeste. "O sofrimento é diário. Olha a subida para chegar até a linha", mostra a mulher. "Só tem essa escada, que ainda está destruída. A linha de trem está em um nível bem acima da escada, os mais velhos e as crianças chegam a tropeçar e cair. As mães têm muitas dificuldades para passar com carrinhos de bebês", acrescenta ela.
Os problemas não acabam aí. A demora também é algo a se lamentar. "Há momentos em que esperamos até uma hora para atravessar este lugar. Isso porque as locomotivas da ALL (América Latina Logística/Rumo) levam um ‘tempão’ manobrando. Enquanto isso, ficamos esperando. Mas tem gente que se arrisca no meio das máquinas. É horrível", relata Marta.

Secretaria de Obras
O secretário municipal de Obras, Walmir Matos, após ser comunicado, disse que até então não sabia dos problemas e que iria encaminhar uma equipe ao local para avaliar a situação. Sobre a falta de luz, adiantou que é de fácil solução e que não levará muito tempo para realizar o reparo. Em relação ao calçamento, depende da necessidade que o lugar exige. No entanto, sobre a passagem subterrânea ou a passarela, admite que o caso é mais complexo e precisará de um estudo técnico mais profundo, já que obras deste porte dependem de mais recursos. "A elaboração de uma passarela exige projeto para execução e vejo como inviável neste momento. Em função da situação emergencial que ainda estamos vivendo, qualquer ação somente para algo próximo do fim do ano. Com relação à iluminação, vamos providenciar a instalação", afirmou Matos. (P.M.)


Escuridão e falta de calçamento
Para piorar um pouquinho, após ultrapassarem a linha em direção ao Santo André, os moradores caminham pelo asfalto da rua São Benedito até a faixa de pedestres, que fica a 20 metros do lugar, pois não há calçamento até lá. Eles se arriscam entre os veículos. Outro problema é a falta de iluminação no mesmo ponto. Até há um poste ao lado da linha, porém a luz desapareceu.
Para deixar o caso mais delicado para a comunidade, nos períodos mais quentes e chuvosos do ano, o mato em volta cresce e serve de esconderijo para bandidos e usuários de drogas, reclamam os moradores. (P.M.)

ALL
A situação também foi encaminhada para a assessoria de imprensa da ALL (América Latina Logística/Rumo), que obtém os direitos de exploração da malha ferroviária do sul do país. Ela informou que a construção de uma passarela extrapolaria o campo de atuação da companhia, que apenas detém concessão para realizar o transporte ferroviário de cargas. Para a execução de obra na faixa de domínio da ferrovia, ressaltou ser necessário atender à resolução de obras nº 2.695 de 13 de maio de 2008, da ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres), que estabelece procedimentos a serem seguidos. A execução depende de autorização da ANTT, sendo o proponente responsável pela elaboração e pela execução do projeto, destacou a empresa. Sobre as reclamações dos moradores em relação ao tempo gasto pelas locomotivas nos momentos de manobra, a assessoria nada divulgou. (P.M.)


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