"Se tivéssemos um ponto de ônibus decente e um transporte confortável, não tinha problema pagar mais caro na passagem. Mas do jeito que está, não concordo com o aumento", comentou o porteiro Laurindo Ramos, esperando o coletivo metropolitano em frente ao Museu Histórico, na Avenida Leste-Oeste, no Centro de Londrina. Ele se referia ao reajuste de 8,96% das tarifas de linhas do transporte metropolitano da região, a partir da última quarta-feira. A linha utilizada por Ramos, entre Ibiporã e Cambé, saltou de R$ 3,15 para
R$ 3,45. Usuários reclamam da falta de estrutura dos pontos de ônibus no centro e dos ônibus lotados em alguns horários do dia.
"Olha para este ponto. Sempre está cheio", aponta ele. "Não tem onde ficar de tanta gente. As pessoas se molham com a chuva. Aqui não tem espaço pra todos", disse o porteiro na tarde fria de terça-feira, enquanto aguardava para embarcar para Ibiporã, cidade onde reside. Quando o coletivo estacionou no local, a fila era grande. Paciente, Ramos desistiu de embarcar naquele momento. Os acentos do ônibus já estavam tomados enquanto dezenas de pessoas aguardavam no lado de fora. "Olha o tamanho dessa fila. Vou esperar o próximo para tentar ir sentando. Trabalhei durante toda a manhã e estou cansado demais para ir em pé", desabafou o homem.
No lugar onde aguardavam o ônibus havia muitas poças de água. A lama no local também incomodava os passageiros. Muitos esperavam em pé, pois a estrutura de metal, que deveria servir de banco, além de gelada, estava molhada. "Como esses ponto não tem qualquer tipo de proteção, além do teto de lata, quando está ventando o sofrimento é grande. Além do vento frio, a chuva molha todo mundo", lamenta a vendedora Maria Aparecida Dias. "Não tenho costume de usar este ônibus todos os dias, faz alguns meses que não o pego, mas nada melhorou, nada mudou. Só o preço da passagem", ironizou ela.
Além dos problemas nos locais utilizados pelos usuários antes do embarque, os ônibus também são alvos de reclamação. "No início da manhã e no fim da tarde, principalmente, os ônibus vão muito cheios. Vamos como ‘sardinhas’ dentro e na maioria das vezes em pé. Não tem conforto e nos dias de chuvas o interior do ônibus fica bem sujo", destaca Jéssica dos Santos Mori, que mora em Ibiporã e estuda em Londrina.
A assessoria de imprensa da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), com informações da diretoria de transportes, afirmou que não cabe ao município de Londrina a manutenção dos pontos de ônibus usados pelos usuários do transporte metropolitano. Como o mencionado na matéria, na avenida Leste-Oeste,
em frente ao museu.
O departamento de tráfego da TIL, umas das concessionárias a oferecer serviços de transportes coletivos metropolitano, como a linha entre Cambé e Ibiporã, "entende que a melhoria da estrutura dos pontos de ônibus, como os da Avenida Leste-Oeste, não é de responsabilidade da empresa. Uma vez que o espaço é da administração pública municipal".
O NOSSODIA ainda tentou ouvir a Viação Garcia, uma das concessionárias a oferecer serviços de transporte metropolitano, porém não obteve uma resposta até o fechamento desta edição. (P.M.)
DER promete fiscalização
Já a assessoria de comunicação do DER (Departamento de Estradas de Rodagem do Estado do Paraná) divulgou que no fim de 2010 foram realizadas uma série de melhorias em pontos de ônibus do transporte metropolitano na região de Londrina. O DER informou que parte da responsabilidade pela manutenção das estruturas é de empresas concessionárias e que cabe ao DER fiscalizá-los. A assessoria afirmou que agentes do departamento devem se deslocar até a região de Londrina, ainda no mês de junho, para avaliar a real situação dos pontos de ônibus metropolitanos. Sobre o aumento, a assessoria destaca que o reajuste é anual, determinado em todo 1° dia de junho. (P.M.)
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