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TRÂNSITO CAÓTICO - Mobilidade urbana: o desafio de Londrina

Pedro Marconi
Grupo Folha
04 mar 2018 às 21:57

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Anderson Coelho
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[local="29392"]Rotatória das avenidas Ayrton Senna com a Maringá: um dos pontos críticos do trânsito na cidade

Faltando pouco mais de um ano para o fim do prazo de elaboração do Plano de Mobilidade Urbana, 94% dos municípios brasileiros com mais de 20 mil habitantes que precisam confeccionar o documento ainda não o fizeram, de acordo com o Ministério das Cidades. A data limite definida pela Política Nacional de Mobilidade Urbana era 2015, foi prorrogada até abril de 2018 e uma MP (Medida Provisória), editada pelo governo no início deste ano e que precisa ser votada pelo Congresso, estipulou abril de 2019.
Londrina está entre as cidades que ainda não elaboraram o plano. Porém, mesmo sem a pesquisa que embasará o documento, o Ippul (Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina) tem conhecimento e "intuições", com base em trabalhos de campo, de alguns pontos da cidade com grande tráfego de veículos e que precisam de soluções, já que registram longas filas nos horários de pico.
Um deles está na BR-369. Segundo Denize Ziober, diretora de Trânsito e Sistema Viário do órgão, a rodovia necessita de mais transposições, pois as existentes estão restritas às avenidas Rio Branco e Dez de Dezembro. "Se o Contorno Norte tivesse saído do papel, esta rodovia teria se transformado em uma avenida dentro da cidade, com um corredor de BRT (Bus Rapid Transit). Como não temos esta estrutura, voltamos a repensar a BR-369 com transposições em desnível", lamenta.
Outro ponto caótico é a rotatória da avenida Leste-Oeste com Rio Branco. "Esta rotatória está ‘explodindo’. O próprio desenho do jardim Shangri-lá não favorece o trânsito. Ainda temos a proximidade com a BR-369", explica. A avenida Higienópolis também é local de frequentes congestionamentos. "Estamos fazendo estudo para uma ponte sob o Lago Igapó, na continuação da Madre Leônia, para ligar até a Souza Naves, em uma área que em breve será duplicada, próximo a Funcart", adianta. Ela ainda define como difícil a rotatória das avenidas Ayrton Senna com Maringá e as avenidas Winston Churchill, Saul Elkind, Juscelino Kubitschek, Bandeirantes e Duque de Caixas.
Números do Denatran (Departamento Nacional de Trânsito) mostram que Londrina tinha, até novembro de 2017, 391.338 veículos. A estimativa populacional é de 558.439 habitantes, de acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o que representa um carro a cada 1,4 habitante.

VISÃO AMPLA
Para Fábio César Alves da Cunha, professor doutor do departamento de Geociências da UEL (Universidade Estadual de Londrina), é preciso pensar na solução dos problemas de trânsito e mobilidade de forma ampla e não restrita a viadutos ou outras intervenções do tipo. "Não se pode trabalhar apenas na circulação viária, mas na infraestrutura, acessibilidade e transporte coletivo. É pensar muito mais como é possível integrar os vários modos de transporte do que tentar resolver apenas um obstáculo", opina. Ele mapeia Londrina com gargalos gerados pelo aglomerado metropolitano e por situações internas do município. "Na região metropolitana existe a necessidade imensa de continuar a duplicação da PR-445 até, no mínimo, o trevo da Warta. O Trem Pé-Vermelho poderia resolver várias coisas, mas não existe perspectiva para este projeto", acredita. "Dentro da cidade,o Arco Leste é uma possibilidade, pois a partir do momento que existem as vias mais rápidas, tira-se o fluxo de veículos do centro e transfere-se para esta região mais perimetral", completa. Como pontos adversos nas regiões, o geógrafo indica o cruzamento das avenidas Leste-Oeste com Dez de Dezembro onde, em breve, será iniciada a obra de um viaduto, as vias próximas do Moringão e as ruas Goiás e Faria Lima. Esta última será duplicada. (P.M.)


CARACTERÍSTICAS
A diretora de Trânsito e Sistema Viário do Ippul, Denize Ziober, elenca que algumas características geomorfológicas da cidade acabam interferindo na mobilidade, muitas vezes sendo um desafio. "Londrina é entrecortada por córregos que nascem do lado oeste e ‘desembocam’ no leste. Já no deslocamento de norte ao sul sempre tem um topo de morro e um fundo de vale. Cada vez que se depara com fundo de vale é necessária uma transposição", diz. "Quando precisa cortar o fundo de vale são poucas as transposições e vão se formando gargalos", acrescenta. Outra barreira física são as rodovias. (P.M.)

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IMPORTÂNCIA
Neste contexto, o plano de mobilidade surge como uma maneira de começar a encontrar saídas para o trânsito de Londrina. Isso porque trata-se de estudo sobre todas as necessidades de deslocamentos que ocorrem, tentando direcionar os investimentos do município de forma mais adequada. "O foco é em cidades mais compactas, com prioridade para pedestres, transporte coletivo e não motorizados", destaca. Todos os municípios que não elaborarem o projeto ficarão impedidos de obter recursos federais orçamentários na área de mobilidade urbana de forma temporária, a partir do prazo estabelecido. "Londrina está atrasada. A gestão passada já deveria ter feito o plano. Com isso, a cidade pode ter prejuízos pela demora para sair este documento", reconhece a diretora do Ippul. O professor da UEL alerta que mais importante que ter o plano, é colocá-lo em prática. "Não adianta ter um bom plano e ele ficar engavetado. Precisa ter todo o planejamento com ação e investimento. Toda programação precisa de um diagnóstico prévio para entender a realidade e esta pesquisa vem para isso", adverte Fábio César Alves da Cunha. (P.M.)

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