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Trampo raro - Ofício bem tramado

Walkiria Vieira
NOSSODIA
21 dez 2015 às 10:18

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Walkiria Vieira
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As utilidades de um balaio, muitas são. Encontrar um artesão habilidoso e com tanta experiência, aí são outros 500. Em Londrina, na Rua Luiza Betti, uma chácara na Gleba Lindóia, zona Leste, "esconde" um trabalhador que já acumula três décadas de experiência no manuseio do bambu. De formatos variados, Joaquim Atonio de Melo, 65 anos, não pede arrego, seja qual for o tamanho da encomenda. "Chega camioneta aqui que fica pequena pra tanto balaio. O encerado jogado no chão de terra é só o começo do trabalho. Com facões afiados que são as próprias ferramentas, Joaquim, mineiro de Guaxupé, em minutos descaracteriza a peça inteiriça e começa a cortar a fibra e mostrar o passo a passo de como se faz um balaio de verdade. "Faço no sol, faço na chuva e o bambu vem por encomenda. Começo do fundo e vou entrelaçando. No começo fiz muita porcaria, hoje é tudo de primeira." Para provar a resistência do balaio que serve para colocar folhas secas, palha de milho ou o que a necessidade exigir, Joaquim vira o cesto de cabeça pra baixo, sobe em cima e pula feito criança pra mostrar o quanto o seu produto tem valia. Há quem escolha peças para decorar a casa e deixar ainda mais aconchegante. "E olha que eu peso 66 quilos. Isso aqui é forte, mesmo". Para fazer cada peça, são dois dias inteiros de trabalho. "Sem contar o acabamento". O balaieiro explica que para o cesto ficar bom, existem seus segredos. "Tem que fazer com ele maduro, do contrário, não dá balaio que preste", enfatiza. "Tem freguês que tá comigo desde que comecei. Já vendi pra Minas, Brasília e vai carregado de milho, folha, o que precisar." O valor varia de R$ 30 a R$ 70 reais, no caso dos modelos mais tradicionais. Sobre o ofício de longa data, Joaquim explica: "A gente quando é novo tem que pensar que tem que ter uma profissão. Hoje, ninguém quer aprender e eu quero ensinar. Nasci debaixo do pé de café, tombo terra com trator, amanso animal, mexo com roça, com café, conheço todo tipo planta e nunca morei na cidade." Das mãos calejadas, não há como disfarçar o olhar. Joaquim diz que no começo já se cortou, precisou tomar vacina antitetânica, mas a experiência deixou o profissional mais esperto. Quatro fitas sintéticas reforçam o balaio. Quem observa o artesão, admira-se com tanta disposição.
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