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Contingenciamento

Todo mundo P. da vida - Comunidade revoltada com suspensão de obras

Simoni Saris
Grupo Folha
02 jun 2016 às 09:29

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Celso Pacheco
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A suspensão de obras planejadas pela Prefeitura de Londrina, anunciada pelo prefeito Alexandre Kireeff na última terça-feira como parte do novo plano de contingenciamento, desagradou a população. Entre os projetos que, para saírem do papel terão de esperar uma melhora no caixa do município, estão a construção da Unidade Básica de Saúde da Vila Fraternidade (zona leste) e a duplicação da Avenida Faria Lima (zona oeste), apontadas pela comunidade como fundamentais.
Notícias sobre as medidas de contenção de gastos começaram a ser veiculadas na imprensa já no final da tarde de terça-feira e na manhã de quarta, na Vila Fraternidade, a comunidade se dizia indignada com a suspensão da obra. "Se eles não iriam construir um novo posto de saúde, então que não tirassem o que tinha aqui. Demoliram o antigo prédio, a quadra de esportes onde as crianças brincavam e esse terreno vazio agora virou depósito de lixo. Essa é uma obra que a gente espera há três anos", protestou a auxiliar de produção Dalva Prado.
Sem uma unidade de saúde própria, a população do bairro procura atendimento na UBS da Vila Ricardo, mas os moradores reclamam que tudo é muito demorado porque o posto recebe pacientes de cinco bairros. "A gente é muito mal atendido no posto da Vila Ricardo, mas nem é culpa deles, que não aguentam atender cinco bairros. A gente está precisando do posto de saúde. A gente não merece isso", disse o vigia Reinaldo Vanderley da Silva. "A última vez que precisei do posto foi para marcar um exame. Só para fazer esse agendamento demorou quase uma hora e meia. Não tem cabimento isso. É revoltante", comentou Dalva Prado.
A costureira Maria José Iga não reclama do atendimento prestado pelos funcionários da UBS da Vila Ricardo , mas diz não entender por que os moradores da Vila Fraternidade têm de enfrentar essa situação. "O atendimento que temos é bom, mas não deveriam ter desmanchado o outro posto. Deveriam ter feito uma reforma. É um serviço necessário do qual muita gente depende."

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R$ 1.426.203,90 custaria a obra
A Prefeitura chegou a publicar, no último dia 19 de abril, o edital de licitação para a construção da UBS da Vila Fraternidade. A obra foi orçada em R$ 1.426.203,90. As empresas interessadas em participar do certame deveriam entregar os envelopes com as propostas entre às 12 horas e 12h45 do dia 24 de maio e os envelopes seriam abertos às 13 horas do mesmo dia, mas no dia 23 a presidência da Comissão Permanente de Licitações publicou um comunicado suspendendo o processo.
Outra obra da saúde que estava prevista para ser executada, mas acabou suspensa é a reforma da Maternidade Municipal Lucilla Ballalai. Inaugurado em 23 de dezembro de 1992, o prédio passou por uma revitalização em 2010 e agora precisa de nova reforma que apague as marcas da deterioração, visíveis já na entrada da unidade. As esquadrias da porta de entrada estão carcomidas pela ferrugem e o teto apresenta infiltrações em vários pontos. Segundo um funcionário, o imóvel também apresenta goteiras, mas "só duas ou três".
O secretário municipal de Saúde, Gilberto Martin, foi procurado, mas a reportagem foi informada de que ele não poderia falar porque estava em viagem a Curitiba. A assessoria de imprensa da Prefeitura de Londrina informou que embora suspensas, a possibilidade de as obras de construção da UBS da Vila Fraternidade e de reforma da maternidade municipal prosseguirem será discutida nesta quinta-feira em uma reunião com o secretário. (S.S.)

E a Avenida Faria Lima?
Quem enfrenta diariamente os longos congestionamentos na Avenida Faria Lima também vai ter de esperar mais um pouco para ver a tão aguardada duplicação se tornar realidade. A obra está entre aquelas que foram suspensas pelo prefeito Alexandre Kireeff, como medida de contenção de gastos.
Nos últimos anos, a expansão da zona oeste de Londrina, com o surgimento de novos bairros, tornou ainda mais complicado o trânsito na Faria Lima, uma das principais vias de acesso à região, onde também fica a Universidade Estadual de Londrina (UEL). Nos horários de pico, no início da manhã e no final da tarde e início da noite, trafegar pela via é um exercício de paciência.
"Se eles não vão mais duplicar a avenida, que pelo menos coloquem mais sinalização e fiscalização. Pelo menos uma vez por semana ou a cada 15 dias tem batida de carro aqui. Como geralmente são acidentes sem vítimas e com poucos danos, nem sempre os envolvidos chamam a polícia, então muitos não são nem registrados", disse a comerciante Karina Cavalcanti Coelho, proprietária de uma loja de conveniência localizada em frente ao ambulatório do Hospital Evangélico.
Se a situação é ruim para os motoristas, para os pedestres é ainda pior. Além da falta de calçadas, que dificulta o trânsito de pedestres e os obriga a caminharem pela pista em determinados trechos, quem tenta atravessar a avenida nos horários de maior movimento tem de ter cuidado para não ser atropelado. "Se eu chego para trabalhar às 6h50, eu vou entrar no trabalho às 7 horas porque são dez minutos para atravessar a rua", reclamou a atendente Assucena Santos da Silva.
A assessoria de imprensa da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) informou que irá conversar com o Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina (Ippul) sobre o projeto da Faria Lima, mas a equipe da companhia fará uma avaliação do entorno da via para verificar a possibilidade de intervenções no local o quanto antes. (S.S.)

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