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Todo mundo em pânico - Gatunos de olho no carro de quem está na UBS

04 abr 2018 às 20:39

Cansada de ser vítima dos gatunos e sem solução tomada até agora, parte da população do entorno da Unidade Básica de Saúde Pastor Ivo Luiz de Souza, no Parque Guanabara, região Sul de Londrina, tomou a iniciativa de alertar vizinhança e usuários da UBS sobre os constantes arrombamentos e furtos contra os carros estacionados nas proximidades da rua Montevidéu. Antes disso, os avisos eram no interior da unidade, local em que muitos pacientes eram surpreendidos pelo azar de ter pertences furtados enquanto cuidava da saúde. Reportagem do NOSSODIA acompanhou a mudança de comportamento que a faixa provocou recentemente.
Um pedido de socorro. Assim pode ser interpretada a faixa que avisa: "Atenção: roubos frequentes nessa rua. Arrombamentos de carros a qualquer hora do dia". Hoje, quem chega à rua Havana determinado a estacionar na porta da UBS já pensa duas vezes. "É verdade. Parei. Mas quando vi a faixa, preferi estacionar mais longe, andar um pouco e me senti mais seguro", diz o estudante Vinícius Takemura, 23 anos. "Acredito que isso tenha sido uma boa ideia, mas fiquei surpreso, sinceramente". Usuária da unidade, a também estudante Aileen Araújo, 20 anos, considera: "É um alerta e funcionou." Ou seja, embora seja fácil estacionar pela quantidade de vagas disponíveis e sem a cobrança de Zona Azul, a esmola é demais. A saladeira Vera Lúcia Silva, 40 anos, admite: "Estou com medo mesmo e nunca vi policiamento aqui".
Na calçada da via, ainda é possível ver restos de vidros quebrados e insulfilme, frutos da violência. De acordo com a vendedora Cleziedlea Jesus, 30 anos, que mora perto da UBS, a iniciativa foi compartilhada por 11 moradores. "Eu moro aqui há 11 anos e desde que o postinho veio para cá, aumentou muito o movimento de carros e, com isso, o de pessoas mal intencionadas também." Cleziedlea considera que houve prejuízo. "Acabaram com a nossa praça, uma área de convívio. Perdemos também o campinho de futebol e agora que há previsão de um laboratório ser instalado aqui, a tendência é aumentar o movimento." Enquanto aguarda pelo atendimento, o marido da professora Fátima Araújo, 52 anos, fica de olho no carro da família. "É chato, a gente fica assustado. Sabemos que a polícia trabalha, vemos abordagens, mas a Justiça é obrigada a soltar. Aqui perto do Lago Igapó, eles passam ostentando tornozeleira parece que com objetivo de intimidar as outras pessoas e até quem sai para passear com cachorrinho já foi assaltado". (Walkiria Vieira/NOSSODIA)


Vidro de carro quebrado mostra a rotina de arrombamentos na região

Saúde e Defesa Social sabem da bronca
A Secretaria de Saúde explicou que o problema é de conhecimento da pasta, conforme nota enviada ao NOSSODIA. "A Secretaria Municipal de Saúde tem total conhecimento sobre esse problema dos arrombamentos e furtos na UBS do Jardim Guanabara e mantém um diálogo direto e rotineiro com a Guarda Municipal no sentido de solicitar as patrulhas juntos às UBS, bem como a Polícia Militar também. Todavia, os marginais aproveitam de momentos em que há área fica sem o patrulhamento para praticar os delitos". A Secretaria considera que também que esse tipo de situação afeta a saúde de moradores e usuários, bem como a dos servidores da unidade. "Com certeza este clima de insegurança e tensão causa prejuízos aos nossos servidores e usuários da UBS. Destaca-se que infelizmente estes episódios prejudicam muitas vezes as ações assistenciais desenvolvidas pela UBS em prol de toda uma comunidade".
O Secretário Municipal de Defesa Social, Evaristo Kuceki, também informou que reconhece o fato. "A Guarda está sempre fazendo esse trajeto. Somos uma polícia ostensiva e a hora em que a viatura sai, atacam. Numa ocasião, a Guarda foi até um prédio que está abandonado (próximo à UBS) e identificou que os menores que ali estavam eram praticantes de pequenos furtos." Acerca da faixa em si, pensa: "De certa forma, serve de alerta. Infelizmente temos ocorrência em toda a cidade e a Polícia Militar participou de algumas reuniões e aumentou a rota de patrulhamento de lá", acrescentou. A PM, por sua vez, não respondeu aos questionamentos nem por telefone, nem pelo e-mail encaminhado ao setor de Comunicação até o fechamento desta edição. (W.V.)


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