"Já enterrei uns 30 colegas de trabalho", relata João do Vale, 75 anos, um dos mais antigos taxistas da região, ao falar sobre a violência que a profissão sofre durante décadas. Na última semana, o taxista londrinense Diuro Tiba, 70 anos, foi espancado e roubado ao final de uma corrida em Cambé. Com fraturas e traumas na face, ele permanece em estado grave no Hospital Universitário (HU). Fato que trouxe novamente à tona a insegurança enfrentada pelos profissionais diariamente que trabalham sempre em alerta.
"Mas não há muito o que fazer para acabar com a violência contra nós. Só se os policiais começarem a andar com a gente no banco de trás do carro", ironiza Do Vale. "É muito difícil prever um ataque. Não está escrito ladrão no passageiro. Se fosse possível, nós mesmos evitaríamos transportar a bandidagem", observa ele. E com razão, no último ataque, o casal de bandidos usou uma criança para não levantar suspeita.
João do Vale está na profissão desde 1967 e não se surpreende com os episódios de violência. "Já passei de tudo nesses anos. Teve um caso em que fiquei horas na mira da arma de um bandido, preso num matagal. Só no ponto onde trabalho (Terminal Rodoviário) já mataram dois taxistas", relata ele, comparando o atual momento da profissão com outras décadas.
"Matavam mais nas décadas de 1970 e 1980. Os ladrões eram mais cruéis. Hoje, o bandido é mais rápido: ameaça, toma o dinheiro ou carro do motorista e vai embora", comenta Do Vale que, apesar do perigo, prefere trabalhar durante a noite. "Entro por volta das cinco (17h) e só vou para a casa perto das sete horas da amanhã do outro dia."

Casal de bandidos carregava uma criança no momento do crime

Atendendo na Avenida Rio de Janeiro, Centro de Londrina, Odair Veiga trabalha há oito anos carregando pessoas. A última vez que se tornou vítima de roubo foi no mês de abril deste ano. "Foi em frente ao Parque Ney Braga, na época da Exposição. Três jovens pediram uma corrida até o Ouro Verde (zona norte) e, chegando lá, anunciaram o assalto. Fiquei tranquilo, conversei com eles, que queriam tomar o carro, e no final entenderam minha situação difícil e levaram somente o meu dinheiro", relembra ele.
Veiga compartilha da opinião do colega João do Vale. Para ele, há pouco a ser feito para impedir assaltos. "Falta segurança em todas as profissões e áreas da cidade. O taxista não é o único a sofrer com essa realidade. O taxista não pode ter medo. Se tiver, não consegue trabalhar. Tem de seguir em frente e contar com a sorte", salienta.
A Delegacia de Cambé abriu inquérito policial para apurar o crime cometido contra o taxista Diuro Tiba. Segundo o delegado Jorge Barbosa, nenhum suspeito tinha sido detido até a última sexta-feira. Há pistas dos suspeitos, eles teriam agido junto à uma criança. "Eles podem responder pelos crimes de roubo, lesão corporal, com agravante, pois a vítima era idosa, além de corrupção de menor de idade." (P.M.)