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Tempos de vacas magras - Drible na crise

21 set 2015 às 09:31


A reforma na casa do encarregado de obras Wagner da Silva Graciano, 51 anos, não tem data certa para ser concluída. Morador do conjunto Alexandre Urbanas, Graciano começou algumas benfeitorias na casa própria onde vive com a esposa, mas em meio à instabilidade econômica, preferiu deixar o acabamento para depois. "Apertou e agora a gente tá se equilibrando. A reforminha espera e vamos fazendo conforme os recursos", reflete. Além disso, Graciano explica que no dia a dia também apertou o cinto. "Dou tudo na mão da minha esposa e a gente fica atento às promoções dos mercados. Aproveita o dia em que a carne tá na promoção e até avisa os parentes. É um jeito de ajudar", diz.
A empregada doméstica Eldi Maria de Brito, 58 anos, mora com quatro irmãos. "Lá em casa, cada um ajuda um pouco. O aluguel é R$ 750, a água passou de R$ 110 para R$ 150, então agora a gente tá procurando ficar menos tempo no banho e cuidar das torneiras. Eu tento guardar um pouco, tudo tá subindo, principalmente remédio. Então, agora, tem que tomar mais cuidado porque já sobrava pouco e piorou", reclama.

Walkiria Vieira

Wagner da Silva Graciano diminuiu o ritmo na reforma da casa


Dicas infalíveis e de graça
De acordo com a professora de Economia da UniFil e Coordenadora do Projeto Saúde Financeira da Família, Maria Eduvirges Marandola, abordar o assunto é pertinente. "Esse é um tema que sempre merece atenção e deve estar presente na rotina da família. Porém, nesse momento, a atenção tem que ser redobrada." Marandola destaca ainda que educar os filhos inclui determinar hábitos para que tenham um ambiente favorável e um aprendizado por meio da observação. Ou seja, dar exemplo. Na prática, a professora sugere que a família saiba quanto custa para viver, levante todos os gastos e rendimentos. "Deu vermelho? Não há mágica. E preciso fazer cortes nos supérfluos e revisar água, luz, telefone, internet e partir para ações como juntar mais roupas na hora de lavar, não largar lâmpadas acesas e tomar banhos mais rápidos. "Os recursos da família precisam ser utilizados sem desperdício. Mesmo quem não está endividado, não deve desperdiçar Ter sonhos, planos e metas é uma maneira de se sentir motivado", ensina. (WV)


Só notícia ruim
Em dia com as notícias, o jornaleiro Roberto Ramos Cotrim, 43 anos, também está habituado a ouvir as pessoas. "Estão pessimistas, com medo e querem saber até onde vai tudo isso. Cada dia é uma turbulência, as pessoas estão descrentes, com sede de punição e talvez sobre para o mais fraco. Aqui na região os condomínios estão dispensando porteiros para cortar gastos, investiram em tecnologia e com isso vem o desemprego. Eu já passei por outras crises, já são 25 anos no ramo e a gente tem que sobreviver". (W.V.)

Caixa das lamentaçoesNo minimercado da comerciante Eliza Sakaguti, 55 anos, o caixa é praticamente um lugar de desabafo dos clientes. Na hora de pagar a conta, se queixam das contas pessoais e dos preços dos produtos do mercado também. "Agora é o limão que subiu demais", diz a comerciante. Hermínio Sakaguti, 58 anos, conta que a família já soma mais de 20 anos à frente do comércio. "Já passamos por outras crises, tivemos que demitir e agora é um momento de aguardar, não ampliar", pensa.
Com atendimento personalizado sobretudo para a terceira idade, os comerciantes se sentem relativamente seguros graças à fidelização que conquistaram. As clientes Maria da Glória Oliveira Gama, 74, e a filha Maria Regina Gama, 53, estão entre as freguesas preferenciais. Dona Maria da Glória recebe auxílio idoso, a filha é empregada doméstica e juntas tentam manobrar os preços altos. "A carne subiu muito, então faço com batatinha pra render. A luz passou de R$40 para R$80 e a gente já vive com simplicidade, só liga TV de noite e não tem muito o que cortar", explicam. (W.V.)


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