Dados do SIM (Sistema de Informação Hospitalar) mostram que 5.063 pessoas foram internadas por acidentes com fogos de artifício entre 2008 e 2017, no Brasil. Neste período, a Bahia lidera o ranking por Estado, com 20% dos registros e o Paraná aparece na 7ª posição, com 179 internações.
A maior parte desses acidentes ocorrem em junho, período das festas juninas. Neste mês, os serviços públicos de saúde em todo o País, registram em média, 80 internações. E neste ano, as entidades médicas também estão considerando os festejos dos jogos da Copa do Mundo.
Para se ter uma ideia, em 2014, ano em que a Copa foi realizada no Brasil, o número de internações bateu recorde considerando os últimos dez anos. Ao todo, 602 brasileiros sofreram algum tipo de ferimento pelo manuseio inadequado dos explosivos.
Esse levantamento é do CFM (Conselho Federal de Medicina), que em parceria com a SBCM (Sociedade Brasileira de Cirurgia da Mão) e SBOT (Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia, revela ainda que nos últimos 21 anos, o País registrou 218 mortes relacionadas ao uso de fogos de artifício - aproximadamente dez a cada ano.
Os homens, de acordo com o estudo, representam a maioria dos registros com 4.245 internações (83%), enquanto que 853 (17%) eram mulheres. Mas o alerta dos médicos envolvem também as crianças. Segundo os dados da CFM, 39% das internações envolviam crianças e adolescentes de zero a 19 anos.
Além de mortes, o uso desses explosivos pode causar queimaduras, lesões com lacerações e cortes, amputações de membros, lesões de córnea ou perda de visão e lesões auditivas. A SBOT reforça que uma em cada dez pessoas que manuseia fogos de artifício tem um de seus membros superiores amputados.
"Uma explosão mal calculada pode comprometer inclusive o antebraço e braço. Lesões desse porte podem impedir a pessoa de levar uma vida normal", reforça o ortopedista em Londrina, Paulo Marcel Yoshii.
Ele orienta as pessoas a ficarem atentas à segurança na hora de soltar o rojão, como nunca segurá-lo diretamente com as mãos e sim prendê-lo em uma armação, cerca ou muro. "Em hipótese alguma se deve permitir o acesso de menores de 18 anos a qualquer tipo de fogos de artifício, tampouco associá-lo ao uso de bebidas alcoólicas", ressalta. (Micaela Orikasa/Grupo Folha)
CAMPANHA
A data de 6 de junho é marcada como Dia de Luta contra Queimaduras em todo o território nacional. Em Londrina, o CTQ (Centro de Tratamento de Queimados) do HU (Hospital Universitário) da UEL (Universidade Estadual de Londrina) realiza uma campanha de prevenção desde 2007.
"A campanha deveria ser contínua, pois a queimadura é um trauma com alta mortalidade e morbidade, pois envolve sequelas estéticas e funcionais. As pessoas devem sempre ser lembradas disso", sustenta a enfermeira chefe do CTQ, Elza Tokushima Anami. (M.O.)
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