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Tem que pensar duas vezes para ficar doente - Comunidade na bronca por atraso na reforma de UBS

Walkiria Vieira
NOSSODIA
12 set 2016 às 09:26

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Walkiria Vieira
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Moradores da zona oeste de Londrina se uniram em prol de um pedido: a volta do atendimento médico na Unidade Básica de Saúde (UBS) localizada na rua Ginástica Olímpica, no Jardim Maracanã, que fica na região. Em fevereiro deste ano, o posto foi desativado para reforma. Durante três meses o atendimento foi realizado no mesmo bairro, no salão paroquial da Capela São Silvestre, na rua do Atletismo, 196, no Jardim Olímpico, provisoriamente. Diante da necessidade de instalações adequadas, a população foi orientada a usar os serviços do Jardim Tóquio, cinco quilômetros de distância - e o transporte gratuito foi concedido pela Prefeitura. Entretanto, a população se queixa do fato de a reforma não ter começado e não ter data para começar e nem para o prédio ser entregue.
O prédio com área construída de 498 m² foi inaugurado em 8 de fevereiro de 2006 e abrange os bairros Jardins Columbia D, Campo Verde, Londriville, Maracanã, Tropical C, Sabará 3 e Olímpico, Portal das Colinas 1 e 2, Parque Universidade 1 e 2, Conjuntos Habitacionais João Turquino e Avelino Vieira (Panissa) e chácaras (Cafezal). "A demanda é de 20 mil pessoas e uma das queixas é pelo motivo de o atendimento, que antes era de 12 horas, estar limitado às unidades ofertadas em outros bairros. As pessoas também perdem tempo com o deslocamento", enfatiza o padre Dirceu Luiz Fumagalli, um dos representantes da comunidade, que organizou um protesto no fim da tarde da última sexta-feira. "O protesto tem razão de ser feito. Trabalho na Rede Comunidade, vinculada à Paróquia Nossa Senhora dos Migrantes, e as queixas sobre a falta que a unidade de saúde está fazendo são diárias". A falta de um posicionamento, intriga Fumagalli. "Isso está reprimindo o acesso à saúde. Quem já faz tratamento, segue com cuidados, agora quem precisa de um diagnóstico perde a iniciativa, pois a distância é um fato que inibe e as pessoas estão deixando de cuidar da saúde por essa dificuldade. Falta compromisso da Prefeitura em nos dar um prazo e a situação atual não é cômoda. Poderia ter ao menos uma farmácia aqui no bairro", reclama o líder comunitário, que também mora na região oeste.

"Quem de fato precisa está sendo atendido", diz secretário
De acordo com o Secretário de Saúde do Município, Gilberto Martin, a população sabia que esse problema não se resolveria esse ano. "Estamos concluindo o processo de licitação e uma série de intercorrências impediram que fosse finalizado, mas por outro lado garantimos o atendimento com transporte gratuito diário e todas as agendas estão completas." O Secretário reforça que a Prefeitura criou uma estrutura para que o atendimento fosse de fato feito, sendo que no início foi atendida a reivindicação da população para que os pacientes fossem atendidos no bairro. "A Capela foi uma alternativa, mas foi possível ver que estava longe do ideal, era improvisado, faltava pia e itens básicos previstos em uma unidade de saúde. Chegamos a cogitar o aluguel de um barracão próximo ao posto desativado, mas como não possuía documentação em dia, o contrato não seria possível. Ou seja, quem de fato precisa, está sendo atendido e com a qualidade que o serviço de saúde preconiza. É claro que é infinitamente melhor ser atendido no bairro, mas essa é a condição possível", esclareceu. (W.V.)

"A gente era feliz e não sabia"
Na porta da unidade desativada, dezenas de usuários do serviço público de saúde do município mostram a insatisfação geral. "Desculpe as palavras, mas isso é uma falta de vergonha, moça. Eu tenho pressão alta, enfartei, agora tenho problema no coração e ir ao médico virou um sacrifício. Consulto no Bandeirantes porque o meu médico foi pra lá e depois pra pegar remédio tem que ser no Tóquio e esse deslocamento sai caro, não tenho como pagar tanto ônibus", desabafa Terezinha Barbosa, 56 anos. "Como eu tenho uma casinha de aluguel no Ana Elisa III, em Cambé, estou usando o Posto 24 de lá. É assim que a gente tem que se virar", argumenta a moradora do Sabará III, zona oeste. Nossa sensação é de carência com a perda do postinho, a gente era feliz e não sabia", continua.
Aos 69 anos, a aposentada Evangelina Maria Ignácio ressente-se com o momento atual. "Tudo bem, a gente entende a reforma, mas do jeito que está é ruim. O ônibus não é de hora em hora como falam. Chega às 7h30 e, para quem vai colher exame, chegar ao posto às 8h45 é muito ruim. Dependendo do tempo que leva o atendimento, pode demorar mais e o motorista do ônibus cedido pela Prefeitura tem horário de almoço. Depois, só volta às 14h. Isso tudo atrapalha", reclama. Moradora do Jardim João Turquino, dona Evangelina não esconde a saudade do postinho onde estava acostumada a ser atendida. "Pelo menos as moças que atendem a gente são as mesmas, um amores, graças a Deus, e a gente torce para tudo voltar a ser como antes". O frentista Antonio Ferreira dos Santos, 54 anos, considera o protesto dos moradores necessário. "Tem que fazer barulho mesmo. E todo mundo tem que protestar porque todo querem atendimento. O posto faz muita falta e quem mais sofre são as crianças e os idosos". (W.V.)


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