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TECNOLOGIA - Dependência digital pode ser doença mental

29 jan 2017 às 22:41

Pesquisar no Google, trocar confidências no Whatsapp, atualizar o Twitter e postar fotos no Instagram são hábitos corriqueiros, mas não tão inocentes como parecem. Eles criam uma dependência tecnológica que, em alguns casos, pode exigir tratamento. Entre os principais problemas, alertam os especialistas, está a perda de controle da administração do próprio tempo e doenças relacionadas ao isolamento, que podem exigir um detox digital.
Uma pesquisa realizada pela Universidade Maryland, dos Estados Unidos, revelou que a dependência em tecnologia é semelhante ao uso de drogas. Depois de analisar mil jovens com idades entre 17 e 23 anos, os pesquisadores concluíram que 79% deles apresentam desconforto, confusão mental, isolamento e até coceira quando submetidos à restrição de eletrônicos.
"A internet e as novas tecnologias são importantes para o desenvolvimento e aprendizado de crianças, adolescentes e pessoas de qualquer idade. Porém, o uso sem moderação pode fazer com que elas deixem de ser um instrumento enriquecedor de conhecimento e prejudiquem a saúde", ressalta a psiquiatra Simone Pistori.
Embora jogos também façam parte da lista, os casos mais comuns de dependência tecnológica estão ligados às redes sociais e troca de mensagens. Essas ferramentas criadas para promover o encontro entre as pessoas podem fazer exatamente o contrário. "Você vai a um restaurante e não vê mais as pessoas conversando. Estão todos isolados em seus smartphones e tablets", constata o psiquiatra Luiz Alves Nunes.
Segundo ele, a Associação Americana de Psiquiatria já estuda incluir o distúrbio da dependência de internet entre as doenças mentais. "Os males causados por essa adicção vão desde dores de cabeça, baixa autoestima até crises de ansiedade e depressão. É semelhante à dependência de drogas ", conta Nunes.
A psicóloga e pesquisadora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Anna Lucia King vai mais longe e acrescenta outros impactos causados pelo uso excessivo de tecnologias. "Os impactos se dão não só na vida pessoal, social e familiar, mas na vida profissional, acadêmica, na saúde física, mental e até no meio ambiente, porque as pessoas geram uma quantidade de lixo eletrônico impressionante", afirma.
A dependência digital, segundo ela, não está diretamente relacionada ao tempo de conexão, mas sim aos níveis de perda de controle na vida real do usuário. "O limite entre uso e abuso é muito tênue. É como a linha que separa o remédio e o veneno, pode curar ou pode matar. O limite está na dose. A tecnologia, para quem sabe usar e usa com bom senso, pode trazer bons frutos ou pode trazer problemas para a visão, coluna, articulações, obesidade", pondera.
Segundo ela, deixar de sair de casa, de praticar atividades físicas, de se relacionar com as pessoas de forma real, perder produtividade no trabalho são indícios de que as tecnologias estão tendo um papel maior do que deveriam.


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