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Pais investigados

Suspeita de magia negra - Menina que engoliu barbante e cabelo passa por cirurgia

27 ago 2015 às 00:53

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Gustavo Carneiro
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Uma menina de 8 anos que sofreu uma cirurgia para a retirada de um emaranhado de material similar a cabelos humanos em Apucarana foi encaminhada para o Lar Sagrada Família com uma ordem protetiva expedida pela Juíza Carolina Carrijo. A medida impede que os pais entrem em contato com a criança. Segundo o delegado-chefe da 17ª Subdivisão de Polícia Civil de Apucarana, José Aparecido Jacovós, a menina foi internada no dia 14 deste mês com fortes dores estomacais e submetida a uma bateria de exames que apontou o material em seu intestino.
"A mãe afirmou que a filha possivelmente foi vítima de um ato de magia negra e nós determinamos a intimação dessa mãe para que ela explicasse de onde saiu essa história de magia negra", relatou. "No interrogatório dessa senhora, ela apresentou problemas de ordem psicológica e psiquiátrica e nós chegamos à conclusão de que ela estaria envolvida diretamente na introdução dos objetos na criança", afirmou o delegado.
Jacovós relatou que a mãe da criança confessou que teria introduzido os objetos. Ele acredita que mais gente esteja envolvida. Segundo o delegado, essas pessoas podem estar utilizando essa criança para rituais de magia negra. Jacovós explicou que o pai da menina é presbítero, e um outro cidadão, que foi a pessoa que aventou a possibilidade da criança ter sido vítima de magia negra, também seria da mesma religião. "A polícia trabalha com o fato de que são pessoas religiosas. Mas se alguém diz para uma pessoa que, no nosso entendimento tem problemas de ordem psiquiátrica, que ela foi vítima de um trabalho de magia negra e ela pode considerar isso uma coisa séria e pode tentar se livrar disso de alguma forma, talvez introduzindo alguma coisa na filha", argumentou.
O delegado explicou que a mãe não está detida porque não houve flagrante, mas não descartou a possibilidade. (Vítor Ogawa/Grupo Folha)

OS PAIS
A mãe da menina, que havia confessado o ato para a polícia, voltou atrás e alegou que disse ter introduzido o material porque foi pressionada pelos policiais. "Falei o que eles queriam ouvir, mas não quer dizer que é verdade. Eu não seria capaz de fazer isso com a minha própria filha", alegou.
O pai da menina também refutou essa possibilidade e continuou defendendo a tese de que o material foi parar no corpo da menina por meio do demônio. "Eu acredito no bem e no mal e Deus não vai fazer uma coisa dessa. E minha filha não sofre de nenhum distúrbio psicológico para ficar comendo essas coisas", garantiu. Ele explicou que a menina vem sentindo essas dores desde fevereiro e que na época foi submetida aos mesmos exames e nada havia sido constatado pelos médicos.
O pai da garota relatou ainda que sempre assiste a programas religiosos na TV, onde viu casos em que o demônio se manifestou, por isso defende essa tese da filha ter sido afetada por magia. Questionado sobre o que ele estava sentindo ao ter sua filha separada dele, o pai foi enfático. "O coração de pai fica apertado ao ver uma filha sofrendo. Além dela, tenho outros três filhos e querem tirá-los de mim. Sou unicista, acredito em um só Deus, mas em primeiro lugar eu sou pai e daria a minha vida pela de meus filhos", afirmou. (V.O.)


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