A conclusão do novo Instituto Médico Legal (IML) de Londrina não ocorreu no primeiro trimestre de 2015, como havia previsto o Governo do Paraná. Para piorar, a obra está paralisada. Operários não são mais vistos no espaço, como registrou a reportagem na última semana.
Os problemas não acabam aí. No espaço há tambores e embalagens vazias, objetos que podem acumular água parada. A nova sede do IML fica na Avenida Dez de Dezembro, no Jardim Europa, próximo ao 4º Distrito Policial. Os moradores afirmam que os cadáveres que passarão a ocupar o local não os assombrarão. Ao contrário da situação atual, que afirmam já trazer muito receio.
"Ficamos com medo. Tem muita aranha e outros bichos em meio aquele espaço. Há também um depósito aqui ao lado em que operários guardam os materiais que utilizam na construção. Deste lugar saem muitos ‘garatos’. É assim que chamamos esses animais: ratos do tamanho de um gato adulto", explica a moradora Cláudia dos Santos da Silva.
"Queremos deixar claro que não somos contra a instalação do IML. Pelo contrário, sabemos da grande importância desta construção. Apenas somos contra a atual situação", acrescenta Cláudia.
A obra começou no primeiro semestre de 2014. O investimento inicial do governo era de R$ 4,5 milhões. A conclusão prevista para o primeiro trimestre de 2015. O espaço tem 5.556 mil metros quadrados.
O novo Instituto terá laboratórios, consultórios, equipamentos de alta tecnologia e salas de raio x, além de auditório, estacionamento e área de psiquiatria. A expectativa é que serão atendidos 1,5 milhão de paranaenses de 36 municípios da região. Mensalmente são recebidas no atual prédio cerca de 80 cadáveres.

Os focos de proliferação do mosquito da dengue também estão espalhados pelo terreno, que tem toneis abertos com água parada
Vizinho infectado pela dengue
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A moradora Cláudia dos Santos da Silva revela ainda o risco de o espaço estar servindo de criadouro para o mosquito da dengue (doença transmitida pelo mosquito Aedes Aegypti). "É o nosso maior receio. Não posso afirmar se foi realmente por causa da obra, mas meu filho de 22 anos, em um período de um ano ou um ano e meio, já foi infectado duas vezes. Nos dois casos os exames médicos confirmaram se tratar do vírus da dengue", afirma Cláudia.
A jovem Giovana Gomes Carvalho reforça os comentários da vizinha. "Realmente, depois que começaram a obra aumentou a sujeira e também os insetos. O que temos mais medo é do mosquito da dengue. Aqui até que passa o carro aplicando o ‘fumacê’. Deixamos nossas casas bem abertas para o produto entrar, o problema é que, devido ao tamanho do canteiro de obras, eu acho que o fumacê não atinge todo aquele espaço", avalia ela. (P.M.)
Resposta do Estado
O NOSSODIA encaminhou o caso para a assessoria da Secretaria da Segurança Pública e Administração Penitenciária, que encaminhou a seguinte resposta: "Nos últimos meses, o Estado do Paraná passou por dificuldades pontuais e o ritmo da execução das obras diminuiu em função da queda de arrecadação proporcionada pela crise nacional, o que interferiu no prazo estipulado para as obras do Instituto Médico Legal (IML) de Londrina", divulgou.
"Entretanto, conforme já anunciado pelo Governo do Paraná, as obras em execução já estão sendo retomadas. O IML Londrina é uma das prioridades de investimento para a Secretaria da Segurança Pública e Administração Penitenciária", concluiu a assessoria. (P.M.)