Depois de um noite mal dormida por causa do calor, é batata: o trabalhador corre para uma loja no dia seguinte, para aliviar a suadeira noturna e não sofrer mais. É o que explica o gerente de uma loja de móveis e eletrodomésticos em Londrina, Alexandre Gomes. "Só de ter um ventilador já faz diferença", afirma. Segundo Gomes, a onda de calor no finalzinho do verão provocou uma corrida fora do comum para comprar o eletrodoméstico. "Tínhamos produto porque em dezembro e janeiro não foi tão quente como era previsto. Então pudemos atender a todos os clientes."
Recém-chegada a Londrina, Maria Antônia Lopes, 56 anos, expõe: "Estou achando muito quente e pensei que esse fosse o normal da cidade". Dona Maria conta que para dormir deixa as janelas do apartamento em que vive abertas e escolhe o pijama mais leve e fresco. "E mesmo com o ventilador ligado a gente dorme mal, fica suando e acorda várias vezes no meio da noite", desabafa. De olho em uma oportunidade, o militar aposentado Elcio Cardoso viu na venda de sorvetes uma forma de complementar a renda. Circula pelos bairros com o carrinho lotado e tem motivos para comemorar. E menos de cinco minutos, três pessoas o abordaram sem que precise se curvar. "Os de fruta são os mais procurados, mas sempre tenho os de chocolate também", explica. O auxiliar de produção Sebastião Marques, 62 anos, diz que se sente aliviado quando pode tomar um sorvetinho em meio a tanto calor. "Ainda mais hoje que precisei ir no INSS e não tive nem tempo de almoçar", conta. Morador de Cambé, diz que graças às sombras das árvores na porta de onde vive, a casa fica fresquinha dia e noite. "Durmo bem". (Walkiria Vieira/NOSSODIA)