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Sua criança ronca? Procure um médico

29 dez 2014 às 08:21

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Foram muitas noites mal dormidas até que a dona de casa Aline da Silva Albuquerque descobriu que o ronco da filha não era normal. Ela conta que Luiza, hoje com 8 anos, respirava pela boca e roncava alto todas as noites, desde os primeiros anos de vida. "O tempo foi passando e eu sempre fui adiando", diz.
Aline conta que a filha tem bronquite, mas não imaginava que a forte respiração poderia estar relacionada a outras enfermidades. "Foi então que em uma consulta de rotina com uma dentista, fui orientada a procurar um otorrinolaringologista. Ela disse que a respiração da Luiza já estava afetando a arcada dentária".
Assim como Aline, muitos pais não imaginam que o ronco dos filhos deve ser investigado logo no início. Apesar de não haver dados concretos sobre a taxa de incidência, o otorrinolaringologista em Londrina, Fábio Kitahara afirma que essa condição é comum entre as crianças, em especial nos cinco primeiros anos de vida.
"O ronco é só mais um sintoma de algo maior que pode estar acontecendo com a criança. Assim que os pais observarem um quadro de ronco persistente, sono agitado e respiração oral, é importante que façam uma avaliação para saber se há uma causa específica", indica. Vale lembrar entretanto, que existem situações em que o ronco é considerado normal, como em um dia em que a criança brincou muito, ou seja, por motivo de cansaço.
Ainda de acordo com o especialista, o diagnóstico de ronco infantil é clínico, considerando o histórico e a observação dos pais durante o sono da criança e também durante o dia. "A situação vai afetando também o dia a dia. A criança pode, por exemplo, se mostrar mais hiperativa, com dificuldade de concentração, memória, aprendizado e até apresentar variações em relação ao hormônio de crescimento. É uma gama de sintomas", aponta.
Entre as patologias mais comuns que têm o ronco como sinal, Kitahara cita a síndrome da respiração oral. Neste quadro, a criança vai desenvolvendo um conjunto de sintomas ao trocar a respiração do nariz (respiração padrão) pela oral e pode então ter alterações na arcada dentária e no desenvolvimento de face.
Outra enfermidade é a rinite alérgica. Segundo o especialista, essa é a causa mais comum. "Ela faz com que o nariz tranque e a criança então passa a respirar pela boca. A prevalência é alta pois cerca de 30% da população tem rinite", diz. Em seguida, ele menciona o aumento das amígdalas e adenoide (conhecida como carne esponjosa) que pode ter diferentes causas e levar a uma cronicidade. Pode haver também outras relações, porém raras, como os casos de desvio de septo na criança e tumores no nariz. (Micaela Orikasa/Folha de Londrina)
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