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Sob pressão - Hipertensão arterial exige mudança de rotina

29 abr 2018 às 22:18


CNa última quinta-feira (26) foi celebrado o Dia Nacional de Prevenção e Combate à Hipertensão Arterial. A data visa chamar atenção para a conscientização sobre a doença, que é caracterizada pela elevação dos níveis de pressão arterial e considerada crônica. O Ministério da Saúde estima que a hipertensão no Brasil cresceu 14,2% na última década. A SBH (Sociedade Brasileira de Hipertensão) calcula que o País possua cerca de 17 milhões de pessoas que sofrem de pressão alta.
Faz parte deste grupo de hipertensos o estudante Roger Kotsubo, 30. Há um ano ele descobriu a doença e precisou mudar a rotina. Os problemas, porém, começaram a se manifestar bem antes da maior idade. "Desde pequeno minha pressão arterial era mais alta do que o normal. Sempre convivi bem com isso, porém em 2017 comecei a ter muitos picos de pressão e vi que era hora de procurar um médico", conta. Entre os familiares mais próximos, o pai é o único que também sofre com a hipertensão.
Desde que foi diagnosticado, Kotsubo passou a intensificar a alimentação rica em verduras e proteínas e adotou um programa de atividades físicas entre academia e caminhadas. "Como muito mais salada e carnes magras. Cortei o pão, bolo, doces em geral. Agora que estou voltando a comer, mas em uma quantidade muito menor do que antes. Também iniciei na academia e diariamente faço algum tipo de exercício. Recentemente comecei a correr no Lago Igapó como mais uma forma de somar", relata.
No caso da comerciante Regina Célia Bérgamo Esper, a ciência de que era hipertensa veio de maneira inesperada e num momento de intensa preocupação familiar. "Estava fazendo atividade física funcional quando comecei a ter muita dor de cabeça e enjoo. Era tão forte que parecia que teria um aneurisma. Medi a pressão e estava 18 por 10 Hg (milímetros de mercúrio). Depois disso fui atrás de cardiologista", relembra. "Nesta época meu marido estava internado e em coma em razão de um acidente. Os fatores emocionais, junto com a correria da rotina e o estresse, contribuíram", acredita.
Para ela, as primeiras semanas depois da consulta foram difíceis, principalmente por conta dos medicamentos. "No início assustei, saber que ia precisar tomar remédio todos os dias e para o resto da vida não é fácil. Meu pai perdeu um rim em razão da hipertensão, pois teve o diagnóstico tardio, então foi outro fator que gerou receio. Entretanto, com o tempo fui acostumando e a medicação já faz parte das minhas práticas. Encontrar o remédio que você se adapta e a dosagem correta são desafios", destaca.

Cuidado constante
Apesar de haver uma data dedicada ao combate à hipertensão arterial, o cuidado com a doença precisa ser constante. Cada vez acometendo mais pessoas, esta condição é, na grande maioria das vezes, silenciosa. O cardiologista Laércio Uemura, de Londrina, sinaliza que a pressão arterial deve ser medida pelo menos uma vez por ano. No caso daqueles que têm predisposição, a verificação é necessária a cada seis meses. Ambos em consultório médico ou UBS (Unidade Básica de Saúde), com especialista. Alguns sinais que podem aparecer, quando o aumento da pressão é repentino, são tontura, dor de cabeça, náusea, insônia e vista embaçada, diz o especialista.
Já o tratamento depende dos níveis de pressão e dos fatores de risco que o paciente pode ter. "Isso engloba o colesterol alto, diabetes, obesidade, sedentarismo ou se o paciente já teve algum problema de saúde. Quanto mais fatores, mais a pessoa depende de medicação. A hipertensão é assintomática", explica. "Entre 90% a 95% das vezes a hipertensão é controlada. O restante é quando existe uma causa, como alterações no rim ou hormonais. Neste caso, é chamada de hipertensão secundária", acrescenta.
Levantamento do Ministério da Saúde mostra que a doença atinge mais mulheres (27,5%) do que homens (23,6%) e que os idosos são maiores afetados. O médico chama atenção para o aumento de jovens à procura de intervenção médica para hipertensão. "Os motivos para isso podem estar no estilo de vida, excesso de sal e sódio, rotina estressante ou estar acima do peso", pontua Uemura, da Clínica Centro do Coração.
Caso não tratada corretamente, a hipertensão arterial pode afetar outras questões da saúde. "Ao longo do tempo vai criando doenças nos vasos sanguíneos, o que pode prejudicar o cérebro, com derrame; afeta o coração, com riscos de infarto e insuficiência cardíaca; os rins, com doenças renais crônicas; além de alterações na visão", elenca. Pessoas com histórico na família têm mais chances de desenvolver o problema de forma hereditária.
Hipertensos têm pressão arterial acima de 14 por 9 Hg (milímetros de mercúrio). O foco na alimentação, em especial ao sal, e uma vida ativa ajudam prevenir a doença. "É necessário vigiar o sobrepeso, ter uma alimentação rica em frutas, verduras, legumes, vegetais e cerais. Consumir pouco sal e produtos industrializados. Parar de fumar, manter atividades físicas regulares, de três a cinco vezes por semana, e cuidado com a ingestão de álcool. Tudo ajuda." (P.M.)


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