A Secretaria Municipal de Saúde confirmou ontem a redução no horário de atendimento em dez das 12 unidades básicas de saúde da zona rural de Londrina. Até a semana passada, todos os postos funcionavam das 7 às 17 horas. Desde segunda-feira (11), os horários sofreram alterações e o encerramento do expediente foi antecipado em até duas horas. A mudança faz parte do que o secretário da pasta, Gilberto Martin, chama de "programa de otimização do uso de recursos da saúde", implantado na segunda-feira com o objetivo de reduzir a zero os gastos com pagamentos de horas extras.
A maior mudança atinge as unidades dos distritos de São Luiz, Irerê, Paiquerê e Guairacá e no Patrimônio Taquaruna, que agora fecham às 15 horas. Nos patrimônios Selva e Regina e no Distrito Warta, o encerramento do expediente foi antecipado para as 15h30 e, em Guaravera e no Patrimônio Três Bocas, para as 16 horas. Apenas nos distritos de Maravilha e Lerroville o horário antigo foi mantido.
Segundo o secretário, as mudanças na zona rural foram definidas após uma análise do fluxo de pacientes, da demanda e das necessidades. "A variação de horário foi muito pequena e depois das 15 horas, o movimento cai muito", justificou Martin. "Das 15 às 17 horas os postos eram usados para fazer outros atendimentos, como aos grupos de hipertensos, por exemplo."
Gilberto Martin ressaltou que o papel das unidades básicas de saúde é funcionar como ambulatórios. Os casos mais graves registrados na zona rural deverão ser encaminhados a unidades da zona urbana, como o Hospital da Zona Sul, o Pronto Atendimento União da Vitória (zona sul) ou as unidades de pronto atendimento Sabará e Centro-Oeste. "Ou eles (pacientes) se locomovem até a unidade mais próxima ou solicitam o Samu", orientou o secretário.
Nas unidades básicas de saúde da zona urbana não houve redução no horário de funcionamento, mas foram feitas readequações de atividades programadas que aconteciam à tarde e agora foram transferidas para o período matutino.
Com o programa de contenção de despesas com horas extras a Secretaria Municipal de Saúde pretende economizar entre R$ 800 mil e R$ 900 mil. Até o final do ano, os cortes devem somar R$ 1 milhão. Além dos cortes nas horas extras, a secretaria mudou o horário de atendimento na sede administrativa, na Diretoria de Vigilância em Saúde e na Diretoria de Logística. Dessa forma, a expectativa é reduzir também os gastos com água, luz, telefone, combustível e impressos. (S.S.)
Secretário anuncia contratação de 14 médicos
Após as readequações feitas com o objetivo de reduzir os gastos com pagamentos de horas extras, no entanto, a Secretaria de Saúde de Londrina identificou a necessidade de contratação de auxiliares de Enfermagem e anunciou a contratação de cinco profissionais para trabalhar durante a tarde em unidades básicas de saúde. "No redirecionamento, alguns recursos humanos foram para o período da manhã e esses novos auxiliares de Enfermagem irão ajudar nas unidades básicas de saúde onde há mais dificuldade", disse o secretário Gilberto Martin.
Além dos auxiliares de Enfermagem, o secretário também confirmou a contratação de 14 médicos, sendo nove clínicos gerais plantonistas para atender na UPA Centro-Oeste, quatro pediatras plantonistas para o Pronto Atendimento Infantil (PAI) e um anestesiologista para atuar na Maternidade Municipal. Os profissionais deverão começar a atender em agosto. O município irá gastar R$ 900 mil com as contratações dos 14 profissionais, mas Martin afirmou que os gastos não irão comprometer o programa de otimização do uso de recursos.
"Está mesmo precisando de mais médicos. Cheguei aqui às 9h30, já é quase meio-dia e ainda não fui atendida", reclamou a doméstica Angelita Ferreira de Souza, que na quarta-feira esperava por atendimento na UPA Centro-Oeste. "Outro dia eu vim aqui, também cheguei às 9h30 e saí às 18h30. É muito demorado."
O operador de betoneira Sidnei de Oliveira Timóteo também se queixa da demora para conseguir uma consulta na UPA. "Cheguei às 8 horas, peguei senha e ninguém mais me chama. Já faz quase quatro horas que estou esperando. Peguei a senha 66 e ainda está no número 39." Para a auxiliar de limpeza Fernanda Cristina Charoto, no entanto, o problema maior não é a falta de médicos, mas a demora para conseguir o resultado de exames. "Cheguei às 7h15, fui atendida em uma hora, mas fiz o exame e quase meio-dia ainda não veio o resultado. A consulta até que é rápida, os exames é que atrasam muito."
O secretário de Saúde disse estar ciente da demora na entrega dos exames e que estuda medidas para agilizar esse processo. "O problema é que o material para os exames é coletado nas unidades por um veículo, que levam o material para o Centrolab e depois o resultado é devolvido em cada unidade. Mas estamos estudando formas de deixar tudo mais rápido." (S.S.)