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Situação dos moradores de rua longe de solução

15 ago 2018 às 23:05

Com quase 560 mil habitantes, baseado em dados do IBGE de 2017, Londrina passa por um cenário típico das cidades populosas: a grande concentração de moradores de rua. A quantidade de pessoas que vagam pela cidade sem um lar não para de crescer. Basta frequentar a região da Concha Acústica, Biblioteca Pública e o Cine Teatro Ouro Verde, todos na área Central da cidade, para se ter uma ideia do problema, que não é privilégio do Centro, eles estão por todos os cantos da cidade. Vê-los espalhados por praças e marquises não é difícil. O difícil é ver uma solução para este problema que só cresce.


Dados oficiais da Secretaria de Assistência Social, com informações do Centro POP e das abordagens de rua, projetam cerca de 500 pessoas nessa situação. Mas o número está longe de ser exato. Um estudo em conjunto com o MP (Ministério Público), ainda sem prazo para terminar, estaria detalhando quem é essa população de rua espalhada nos quatro cantos da cidade.


A morte de Hernane José de Agostinho e Silva, de 55 anos, na manhã de segunda-feira (13), no Calçadão ligou o sinal de alerta. Ele seria d de Castro (PR) e estaria morando nas ruas de Londrina há dois anos. Alcoólatra, antes de morrer Hernane estaria reclamando de fortes dores na nuca e cabeça. Uma companheira de rua até afirmou que o viu se debatendo, mas não acreditou que o morador perderia a vida. Ele teria sofrido um infarto.


Na secretaria, a alegação é de que a ressocialização depende da vontade do morador de rua. A diretora de Proteção Social Especial da Assistência Social, Josiane Nogueira, diz que a dependência química é uma das vilãs na hora de recuperar quem está na pior. "É uma luta inglória. O indivíduo que usa drogas lícitas e ilícitas, quando está na rua, nem sempre consegue voltar para casa, porque aquela porta pode ter se fechado. Com isso, ele precisa reconstruir sua vida em outras condições, o que nem sempre consegue", explicou.


A diretora de serviços complementares da Secretaria da Saúde, Claudia Garcia, falou que a falta de regras no ambiente da rua dificulta o processo. "A gente oferta o tratamento pelo CAPS (Centro de Atenção Psicossocial – Álcool e Drogas), mas a não necessidade de cobrança social que a rua oferece, pode complicar se o morador não quiser ficar em um abrigo à noite", lamenta.

O encaminhamento forçado, segundo Claudia, nem sempre funciona. "Se o morador associa que foi obrigado, pode não entender que precisa de ajuda. Não é garantia que a força traga resultado. Mas em situações de risco de vida, nós fazemos a opção de retirada". O acolhimento, para Josiane, ainda é a principal alternativa. "Tem que partir do próprio indivíduo, aos poucos, um desejo de mudança de vida", reforça. (Edson Neves/NOSSODIA)


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