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Sinal vermelho - Crise atinge também o mercado do sexo

04 abr 2016 às 08:37


A atual crise que o país enfrenta atingiu até mesmo setores informais da economia. Por causa da redução no número de clientes, algumas garotas de programa passaram a atender em dois períodos nos últimos meses e a trabalhar em outras áreas do mercado londrinense, para manter o rendimento e as contas em dia. Segundo as profissionais do sexo, a situação se agrava a cada dia.
Para Camila, de 30 anos, que atende na região central do município, a queda na clientela chega a 87%. A profissional, que no passado passava uma média de cinco horas por dia nas ruas, atualmente permanece por quase 10 horas esperando pelos homens, que não aparecem. "Se o cliente não tem dinheiro, a gente também não tem. Eu trabalhava só durante a noite, geralmente entre 20h e 1h da madrugada. Até o fim do ano passado, quando a situação estava boa, eu atendia até oito homens", relembra a jovem. "Mas a situação hoje é bem diferente. Desanimadora. Na última segunda-feira (28/3), por exemplo, recebi apenas um cliente, e já no fim da noite", lamenta ela. Uma queda de aproximadamente 87%.
Para evitar um rombo na poupança, Camila passou a atender em dois períodos. "Com a queda no número de interessados pelo nosso trabalho, passei a atender também na parte da tarde. Mesmo assim está bem ruim. Atualmente, cobro R$ 70 pelo programa mais barato. Hoje (29/3) acredito que vou atender no máximo três clientes", avaliou a meretriz. "O sexo fora de casa não é mais uma necessidade, virou um luxo. Não tem jeito, a primeira coisa que o homem deixa de lado é seu momento de lazer. E quem paga a conta por isso é a gente."
Além de ficar nas ruas por quase 10 horas, Camila revela que já pensa em arrumar outro emprego no período da manhã. "Um trabalho paralelo. Durante a tarde e a noite, faço meus programas. Durante a manhã, vou ter que trabalhar em outra área. Há muitas colegas aqui que também são domésticas, manicures...", conta a moça. Um claro exemplo sobre a delicada situação é da garota de programa Karina, de 25 anos. Devido ao baixo lucro na atividade sexual, sobrou ‘pro’ maridão. "Com a crise apertando cada vez mais, deixei de pagar a moça que cuidava do meu bebê, durante a tarde. Agora, tenho de esperar o meu marido chegar do trabalho para ele tomar conta do nosso filho", admite ela, que também trabalha na região central de Londrina. O marido apoia o trabalho dela.

‘Sexo nunca sai de moda’
Ouvindo as reclamações de outras colegas de trabalho, que dependem de intermediários, Camila ressalta que a situação de garotas de programa que trabalham em boates e casas especializadas está ainda pior. "Se está ruim na rua, pior nas boates. Já trabalhei em casas noturnas e tenho amigas que lá atendem. Na boate, por exemplo, o cliente ainda precisa pagar pela consumação, além do sexo com a garota. Ou seja, a conta fica ainda mais cara no final", explica a mulher.
Camila revela que trabalha com sexo há 14 anos e que nunca enfrentou um momento tão ruim na profissão. "Com certeza, é o pior momento de todos os tempos. É a pior época para se ganhar dinheiro com sexo. Já tiveram épocas ruins, mas não como a de agora. Apesar do momento, o sexo nunca sai de moda, mas só mesmo os (clientes) mais fieis continuam nos procurando. Com ou crise sem crise, eles não esquecem de nós", acrescenta ela, afirmando que não pensa em sair do ramo. (P.M.)


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