Parte dos moradores do Jardim Higienópolis afirma estar cansada com a situação que se repete há anos. Durante a noite, entre as vias Humaitá, Montese, Riachuelo e Higienópolis, jovens usam drogas, se embebedam, praticam sexo, brigam, cometem roubos e promovem "algazarras". Tudo movido pelo som alto dos carros. A denúncia dos moradores abrange ainda a depredação do patrimônio público e privado, além da sujeira após a noitada: com garrafas de bebidas quebradas e lixo espalhado pelas vias e urina por todos os cantos.
"Moro aqui há mais de 10 anos e isso sempre aconteceu. Já fizemos abaixo-assinado, pedimos o apoio de vereadores, socorro à polícia. Mas a bagunça continua a madrugada toda. Todos os dias tem gente gritando, muita briga e barulho de garrafas quebradas. Não consigo mais dormir durante a noite, só depois que amanhece. Tenho problemas emocionais porque não consigo repousar", afirma a aposentada Lúcia Santos. A diarista Cleuza Ferreira limpa a sujeira deixada pelos jovens. "Nas manhãs, principalmente nos fins de semana, retiro latinhas de cerveja, garrafas de vidro vazias em volta das árvores. Algumas quebradas", relata ela.
Outros moradores se pronunciaram através de um e-mail encaminhado ao NOSSODIA. "Nós, moradores das ruas Humaitá, Montese, Riachuelo e Paranaguá, mais uma vez pedimos socorro. Sofremos há mais de 10 anos com o barulho que se instala na Praça da Rua Humaitá e Rua Montese. Todos os dias, com a maior incidência nos finais de semana", dizia o reclamante. "Ali, jovens reúnem-se para fazer uso de vários tipos de drogas. Praticam sexo, brigas e roubos. Eles excedem com gritarias e algazarras, além do som altíssimo de seus carros, abusando de instrumentos sonoros. Depredam o patrimônio público e o privado com pichações em muros, janelas, carros, placas. Há garrafas jogadas e quebradas, lixos espalhados, sujeiras de todo o tipo", afirmava na correspondência.
"As garrafas de bebidas alcoólicas são compradas em um posto de gasolina entre as ruas Montese, Riachuelo e Higienópolis. Eles permanecem nesse local (Praça da rua Humaitá, Montese e intermediações) até altas horas da madrugada. Não conseguimos mais ter um sono tranquilo. Aliás, nem dormir. Em nossa vizinhança temos pessoas doentes, crianças, outras com bastante idade, que vivem assustadas e temerosas. Perguntamos por que a Lei Federal 3,688, capítulo IV, artigo 42, não é respeitada", completa.
A referida Lei (Das Contravenções Penais) destaca no Artigo 42 que perturbar alguém o trabalho ou o sossego alheios: com gritaria ou algazarra, exercendo profissão incômoda ou ruidosa, em desacordo com as prescrições legais, abusando de instrumentos sonoros ou sinais acústicos, provocando ou não procurando impedir barulho produzido por animal de que tem a guarda, prevê pena com prisão simples de 15 dias a três meses ou multa.
A comunicação social do 5° Batalhão de Polícia Militar de Londrina informou que qualquer denúncia pode ser realizada no telefone 190. PMs poderão se deslocar até o local para atender a solicitação. Para que o responsável pela perturbação seja encaminhado para o Centro de Triagem da Polícia, onde seria lavrado um Termo Circunstanciado, uma vez que a situação é tratada como contravenção referente à paz pública.
No entanto, para que a ação seja levada adiante, o aparelho automotivo apreendido ou o responsável responda pela conduta, o solicitante deve acompanhar o policial. Esta infração exige representação. Caso a denúncia seja por crime de tráfico de drogas, por exemplo, ela deve ser realizada pelo telefone 181, o disque denúncia. Assim uma equipe do Serviço Reservado (P2) da PM irá até o local identificar os suspeitos e, caso se possível, efetuar as prisões. (P.M.)
Proprietário do posto Ecos, popularmente conhecido como "cotovelo", localizado entre vias Higienópolis, Riachuelo, Montese e Humaitá, Sandro Vicenti afirma que busca medidas para evitar transtornos aos vizinhos. "Nas sextas-feiras, sábados e domingos, quando a movimentação de clientes é maior, nosso atendimento vai até a meia-noite. Nos demais dias, a venda de produtos vai até as 2h. Além disso, temos um segurança que não deixa as pessoas tomarem bebidas em volta do posto", diz ele, destacando que a compra de bebidas alcoólicas durante altas horas da madrugada ocorre em outros postos da região. "Inclusive, participo de um grupo no WhatsApp junto a moradores do prédio ao lado do posto, onde eles me informam sobre os problemas no local. Quando isso acontece, busco resolvê-los imediatamente", explica Vicente, proprietário do posto há 20 anos. (P.M.)