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Será que vai dar certo? Mudanças na saúde em Londrina

14 dez 2015 às 10:32


Um projeto-piloto executado pela Secretaria Municipal de Saúde divide as opiniões de quem procura por atendimento médico. Na falta de ginecologistas, mulheres são atendidas por clínicos gerais. O encaminhamento ao especialista só é feito quando considerado necessário. De acordo com o secretário municipal de Saúde, Gilberto Martin, a intenção é ampliar o projeto na rede de assistência básica a partir de fevereiro. A proposta, segundo ele, poderia melhorar as condições de atendimento aos pacientes. "A atenção primária à saúde, em relação ao atendimento médico e este é um princípio inclusive do Programa Saúde da Família, deve ser feita pelo clínico geral, pelo médico generalista ou pelo médico de saúde da família. Considera-se que 80% das demandas por consulta médica são necessidades básicas que podem e devem ser resolvidas por um generalista", afirmou. Londrina possui 54 unidades básicas de saúde e apenas 27 ginecologistas nos postos.
Nos últimos três anos, segundo o secretário, quatro concursos foram realizados pelo município para a contratação de ginecologistas. O último ofertou 40 vagas e teve 29 inscritos. No entanto, apenas nove profissionais se apresentaram para assumir os postos de trabalho.

‘Não vai dar zica’
Mesmo com o avanço do zika vírus e o aumento nos casos de microcefalia no País, Gilberto Martin defendeu que a medida não trará prejuízos à população. "Não existe mudança técnica na área da saúde que venha a trazer qualquer prejuízo para as pessoas. Talvez se nós conseguirmos ampliar a oferta de atendimentos vamos ampliar o acesso à população que não vai mais precisar aguardar por este especialista", argumentou. A Secretaria Municipal de Saúde também estuda uma proposta semelhante na área da pediatria. Hoje há 44 plantonistas no Pronto Atendimento Infantil (PAI) e pouco mais de 40 nas unidades básicas de saúde. Clínicos gerais fariam o primeiro atendimento às crianças e novos pediatras seriam convocados nos próximos meses. (V.C.)


‘Paliativo’
Para o presidente da Associação Médica de Londrina (AML), Antônio Caetano de Paula, a medida seria apenas paliativa. "O clínico geral tem limitações para fazer esse atendimento. Ele está preparado para fazer o atendimento geral, mas há detalhes mais específicos como a administração de medicamentos, a análise dos sintomas e outros itens", defendeu. O presidente da AML, que também é ginecologista e obstetra, apontou que os baixos salários e as condições de trabalho afastam os profissionais dos municípios. (V.C.)

Projeto-piloto
Há pouco mais de um mês, um grupo de ginecologistas e obstetras deu início ao projeto-piloto. "Temos um núcleo de ginecologistas que ficam em um posto central fazendo o acompanhamento dos casos em que os clínicos fazem o atendimento. Os acompanhamentos são feitos por telefone ou pessoalmente, dependendo da necessidade do clínico. Eles orientam e fazem o monitoramento da condução desses casos. Quando necessário, encaminham ao posto central", explicou o secretário. Atualmente, os ginecologistas estão concentrados na UBS da Avenida São Paulo. A partir de fevereiro, o núcleo deve ser transferido para o antigo posto de saúde do Parque Guanabara, ao lado do mercado municipal, na zona sul. (V.C.)


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