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Sempre nos trinques

15 set 2014 às 08:32
Por cerca de 10 anos, Judite Ribeiro da Silva, 54 anos, trabalhou como ascensorista do Edifício Mônaco, no Centro de Londrina. "Foram anos muito felizes. Entrava às sete da manhã, saía uma da tarde e depois ia limpar os escritórios de advocacia e contabilidade." Sempre alinhada, Judite conta que usava uniforme e caprichava no look. "Cheguei a fazer calo na cabeça de tanto dormir de bobes para que no dia seguinte meu cabelo estivesse impecável", brinca.
No sobe e desce diário do elevador, Judite fez muitas amizades e era mais que querida por todos. Antes disso, a pernambucana de São João que chegou por aqui com 13 anos, atuou em outras atividades. "Trabalhei em casa de família, fui babá, faxineira e estudava à noite, mas nunca deixei a peteca cair e nem tive vergonha de trabalhar. Mesmo quando fazia limpeza em supermercado, tinha postura e fui eleita a ‘miss limpeza’ porque fazia o serviço com estilo, elegância e alegria, graças a minha autoestima. Mas nunca fui metida", afirma.
Casada há 27 anos e mãe de três filhos, hoje Judite se recupera de lesão no ombro, mas pretende voltar à ativa. Fez até curso de cabeleireira. "Gosto de estar na lida e ir à luta. Já passei uma fominha na vida, mas fazia uma jarra de chá de cidreira com pipoca e ficava feliz. Ouvia BeeGees, colocava papel crepom para a luz ficar colorida e espantava a tristeza. Hoje as pessoas reclamam por muito pouco. Estão muito ansiosas." (Walkiria Vieira/NOSSODIA)

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