A motorista France Vieira, 40 anos, considera que precisa fazer uso de muito jogo de cintura para driblar as dificuldades do trânsito. Com três filhas em idade escolar, em duas escolas diferentes, também admite que dá a paradinha clássica, na fila dupla, na hora do embarque da filha de 12 anos, que estuda em uma escola no centro de Londrina. "Tenho bastante dificuldade em encontrar um lugar aonde parar. Na verdade, não tem como parar e sou obrigada a ficar em fila dupla, mas não gosto. Tem horas que achar uma vaga é como ganhar na loteria e eu já peço para a minha filha ficar na porta me esperando para não atrapalhar o trânsito", explica. Isso acaba deixando a gente estressado, porque você tem que ser "The Flash" para dar tempo de parar e a criança entrar no carro", desabafa.
Para fugir do congestionamento, a auxiliar financeira Josiane Tardiolli, 33 anos, organiza a rotina para poupar tempo de toda a família. "Eu negociei o meu horário de almoço da empresa. Busco minha filha cedo na escola e depois meu marido. Mesmo assim, vejo muitas coisas erradas no trânsito".
A fila dupla, é uma delas, segundo a motorista que mora em Cambé e trabalha em Londrina. "Na porta da escola da minha filha mesmo, a situação é corriqueira. Eu faço de tudo para fugir dos horários críticos, porque já morei mo Recife e em São Paulo e muitas vezes o estresse daqui se parece com o das capitais. É uma pena. Canso de ver pais de alunos, vans parados e depois da cena clássica, o errado ainda acha ruim quando alguém reclama. Sem contar o mau exemplo para os filhos", reflete.
Não importa se é na chegada ou na saída, os pais param em fila dupla e atrapalham o trânsito
O porteiro de uma escola particular no centro de Londrina diz que também está acostumado a ver confusões na porta da escola. Ele prefere não se identificar e resume.
"É inevitável. Um para em fila dupla, o de trás não tem nada a ver e buzina mesmo. A gente agiliza a saída da escola, chama pelo microfone, temos estacionamento, mas muitos preferem não descer para pegar o filho. Tem situação em que tem vaga, mas o motorista não estaciona, fica esperando em fila dupla e atrapalha mesmo", reforça.
Ainda segundo o porteiro, a situação poderia ser pior. "Muitas famílias moram nas proximidades e vêm apanhar os filhos sem carro, caminhando e isso acaba desafogando um pouco, mas das 17h30 em diante tem muito motorista
folgado em porta de escola".
O mototaxista e segurança Hewandro Cesar Silva, 41 anos, confirma o comportamento. "Convivo com isso diariamente. A fila dupla gera muitos transtornos, pode provocar acidente e na área central de Londrina é de praxe. Em frente de comércios e escolas, é comum. Deveria ter mais fiscalização. Isso sim precisa fiscalizar e punir", reclama. (W.V.)
Segundo o artigo 181 do Código de Trânsito Brasileiro (CTB), estacionar o carro ao lado de outro veículo em fila dupla é infração grave, com perda de 5 pontos na CNH do condutor e multa de R$ 127,69. Neste caso, passível de remoção do veículo. Nos casos em que o motorista fica em fila dupla, mas permanece dentro do carro, com o veículo em funcionamento, o CTB permite enquadrar a conduta inadequada de acordo com o artigo 182, inciso 3º, que diz que parar afastado da guia da calçada (meio fio) a mais de um metro do meio fio (ao lado de outro veículo) é infração média, com perda de 4 pontos na carteira e multa de R$ 85,13. (W.V.)
De acordo com a Companhia Municipal de Transporte e Urbanização (CMTU) os pontos mais críticos de Londrina são as avenidas Rio de Janeiro e São Paulo e as ruas Pernambuco e Mato Grosso.
"É um trabalho árduo de fiscalização e orientação. Os agentes da CMTU buscam patrulhar continuamente esses locais. Porém, o trabalho surte efeito só enquanto os agentes estão no local. Longe da presença dos fiscais, muitos condutores ignoram as determinações e insistem na irregularidade." Sobre as ocorrências citadas em portas de escolas, a CMTU aponta: "Muitos cidadãos estacionam nesses locais inadequadamente. Outros tantos pais ficam parados nas vagas à espera de seus filhos, desvirtuando a função do espaço." Ainda segundo a assessoria de imprensa da CMTU, a maioria das ações da Coordenadoria de Educação no Trânsito ocorre a convite das próprias escolas, dada a dificuldade dos pais em desembarcar os filhos com segurança nessas áreas." Instituições de ensino que considerem a quantidade de vagas insuficiente podem solicitar junto ao Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina (Ippul) o estudo técnico para a ampliação do embarque e desembarque. (W.V.)