Enquanto a maioria dos amigos de sua idade prefere o smartphone e o vídeo game, o estudante Vítor Manoel Martins, de 14 anos, escolheu um outro passatempo, bem mais tradicional, para seus momentos de diversão. O garoto é um aficionado por futebol de mesa. Tudo começou há seis anos, quando ele conheceu a modalidade por meio de um projeto da escola onde estuda, o Colégio Estadual Nilo Peçanha.
Vitinho, como é conhecido pelos amigos botonistas, claro, gosta bastante de futebol. E como os garotos de sua idade, também é adepto dos jogos de celular e vídeo game, mas não tem dúvidas ao dizer qual lhe agrada mais. "Se estiver acontecendo ao mesmo tempo um campeonato de futebol no vídeo game e um de futebol mesa, vou para o de futebol de mesa. É mais prático, mais competitivo e movimenta mais também", justifica o segundo jogador mais jovem da Copa Brasil, realizada em Londrina no último final de semana. O torneio só perde em importância para o Campeonato Brasileiro.
Ver garotos como o Vitinho em ação em torneios de futebol de mesa é raro. Fato que preocupa os "medalhões" da modalidade. "Essa questão da renovação é um problema por que a concorrência com o vídeo game é desleal", lamenta um dos nomes mais respeitados da modalidade no país, o londrinense Victor Heremann, campeão da Copa Brasil em 2008, Interclubes em 2011 e Mundial com a seleção brasileira em 2012.
"Falta divulgação também. Temos pouco apoio de patrocinadores, o que dificulta fazer grandes eventos, para que o público veja e possa assistir, conhecer", acrescenta o pentacampeão brasileiro e da Copa Brasil, o curitibano Roberto Rodrigues, o Robertinho.
Para os dois craques, a renovação também depende de projetos de base nas escolas. "Comecei a jogar naqueles botões que se vendia em bazar. E hoje os meninos chegam aos torneios sem essa base e vai demorar para desenvolver. Esse é o desafio", observa Heremann, que também preside a Federação Paranaense de Futebol de Mesa.
Em Londrina existem atualmente duas equipes e cerca de 20 botonistas que participam regularmente de torneios. Um projeto que vai levar o futebol de mesa às escolas está pronto e deve ser iniciado em 2017. Os treinos acontecem aos sábados, no Colégio Estadual Vicente Rijo. Quem tiver interesse em participar pode entrar em contato através dos telefones (43) 9902-0229 ou (43) 9662-7320.
O que os medalhões do futebol de mesa sonham ver se multiplicar são exemplos como o do Marlon Souto Maior, de 40 anos. O botonista atravessou o Brasil, encarou mais 12 horas de viagem para disputar a Copa Brasil em Londrina. "É o esporte da minha vida, sou apaixonado por isso", define o funcionário público de Bela Vista, capital de Roraima (norte do país).
Fanático, ele diz que não troca uma partida de futebol de mesa pelo vídeo game. "Sempre tive certa aversão a games, acredito que isso aliena o ser humano. Não há interação. Aqui posso reclamar de uma jogada que não deu certo, conversar, aprender", compara o roraimense, botonista desde os 11 anos. "Tenho dois amigos de infância que jogam comigo até hoje e isso é legal", completa.
Em sua primeira vez na Copa Brasil, Souto Maior destaca o aprendizado. "Em nenhum momento passou pela minha cabeça vir em busca de medalha. A ideia é levar conhecimento, aprender estratégias de defesa, e já valeu muito a pena. Aprendi aqui o que não havia aprendido em toda a minha vida. Um torneio de nível muito alto, com vários campeões brasileiros, uma experiência única", reforça o jogador. (R.S.)