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SEGURANÇA - Policiamento de trânsito é intensificado em Londrina

17 jun 2018 às 19:29

A Polícia Militar reforçou o policiamento de trânsito em Londrina. A presença das equipes policiais militares da CiaPtran (Companhia de Trânsito) do 5º BPM (5º Batalhão de Polícia Militar), em pontos estratégicos da cidade faz parte de um planejamento feito pela unidade para reforçar a atuação preventiva da PM e evitar crimes de trânsito.
As equipes estão reforçando as blitzes e bloqueios de trânsito de maneira dinâmica e intensa, atuando para flagrar atitudes de desrespeito à legislação de trânsito e identificar motoristas infratores. A atuação maciça é para reduzir o número de acidentes com mortes e feridos, bem como a incidência de embriaguez ao volante. Segundo o 5º Batalhão, foram realizadas ações para compor o procedimento sistêmico diário do policiamento de trânsito. "Buscou-se a sustentabilidade desse tipo de ação, cujos resultados serão uma maior ostensividade, maior prevenção de crimes de infrações de trânsito, resultando em meno acidentes automobilísticos e, consequentemente, mais sensação de segurança", informou a PM por meio de nota. A medida visa, principalmente, reduzir a letalidade no trânsito. Na noite de sábado, um homem morreu após bater o carro que dirigia na traseira de um ônibus de turismo, na BR-369, entre Londrina e Ibiporã. O homem, de 34 anos, chegou a ser atendido pelo Samu, mas não resistiu aos ferimentos e morreu na ambulância.
Todos os anos, aproximadamente 43 mil pessoas morrem em acidentes de trânsito no Brasil e esse já é o segundo motivo de morte entre as causas externas no País, com maior ocorrência entre jovens e adultos de 15 a 39 anos de idade. No Paraná, dados preliminares de 2017 apontam 2.614 óbitos e outras 9.448 vítimas gravemente feridas. Além da violência, esse tipo de acidente leva à perda de produção devido às lesões ou mortes, com impacto no orçamento público e na renda das famílias atingidas, e implicam gastos para o sistema de saúde.
Em 2016, os acidentes de trânsito no Brasil causaram 180.443 internações pelo SUS (Sistema Único de Saúde) ao custo total de R$ 253,2 milhões, segundo o Ministério da Saúde. Os números são maiores do que os registrados no ano anterior, com altas de 13,68% no número de internações e de 4,62% em recursos para a saúde. Em 2015, foram 158.728 internações que consumiram R$ 242 milhões. Mais de 50% dos gastos hospitalares foram destinados à recuperação de motociclistas. No Paraná, as internações de vítimas de acidentes de trânsito custaram ao SUS mais de R$ 13,6 milhões em 2017, segundo levantamento preliminar da Sesa (Secretaria Estadual de Saúde). Os números referem-se a acidentes registrados tanto em áreas urbanas como em rodovias. O Ministério da Saúde e a Sesa, em suas estatísticas, não fazem distinção entre o tipo de via onde foram registradas as ocorrências. (Redação/NOSSODIA)

UM BOEING POR DIA
"Aqui no Paraná, são sete mortos por dia em acidentes de trânsito terrestre. É como se caísse um Boeing por mês no nosso Estado", comparou a coordenadora do Projeto Vida no Trânsito Paraná, Tânia Mascarenhas. "Os gastos do SUS com internações das vítimas são altíssimos e isso, inclusive, impede que outras pessoas possam utilizar os leitos hospitalares para cirurgias eletivas por estarem ocupados com o tratamento de acidentados", observou. Em todo o ano de 2017, a Seguradora Líder, administradora do Seguro DPVAT, efetuou o pagamento de 383.993 indenizações no País, sendo 284.191 por invalidez permanente, 58.651 por despesas médicas e 41.151 por morte. No Paraná, foram 23.286 indenizações no total, número que coloca o Estado no sexto lugar no ranking de sinistros pagos pela seguradora no ano passado.
Professor da UFPR (Universidade Federal do Paraná) na área de Segurança Viária e colaborador do ONSV (Observatório Nacional de Segurança Viária), Jorge Tiago Bastos lembra que os custos com os acidentes de trânsito vão além das internações e pagamentos de indenizações. Estimativas conservadoras, afirmou ele, calculam em cerca de R$ 50 bilhões ao ano os gastos com os acidentes, aí computados atendimento médico, seguros de veículos, perda de carga e danos à infraestrutura, entre outras despesas. "Mas se considerar os custos previdenciários e tudo o que o sistema público investiu naquele indivíduo que veio a óbito ou ficou inválido em idade produtiva, como saúde e educação desde o início da vida, os custos podem ultrapassar os R$ 100 bilhões ao ano, o que representa 2% do PIB (Produto Interno Bruto) nacional", ressaltou.
A solução para reduzir os acidentes e os gastos decorrentes deles, observou Bastos, depende de uma série de fatores de prevenção, como educação do condutor e dos demais usuários do trânsito, reforço na fiscalização e sinalização, questões de infraestrutura e aprimoramento dos itens de segurança dos veículos. As campanhas de educação nas escolas, defende o professor, deveriam ser introduzidas na pré-escola e estendidas até o ensino médio para que tivessem efeito a longo prazo. A curto prazo, aponta Bastos, uma possibilidade seriam campanhas mais efetivas direcionadas aos condutores. "Não adianta utilizar o humor e não ser levado a sério, nem fazer campanhas muito fortes que, quando repetidas muitas vezes, podem ser banalizadas. E essas campanhas têm que estar aliadas a um maior rigor na fiscalização."


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