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Se vira nos 30 - Comida como ganha-pão

06 out 2016 às 10:08


No comércio da família Campos Cavalin, foi o aroma o responsável por ampliar o espaço, a freguesia e transformar a lanchonete em um restaurante. "Meu filho é contador e eu fazia o almoço dele aqui. Foi em uma dessas que o Paulo tornou-se nosso primeiro cliente pela insistência", conta Luzia Campos Cavalin, 60 anos. O cheirinho do bife, o arroz e o feijão temperado na hora converteram o cliente que antes se contentava em almoçar um salgado e um suco. "Expliquei que não tinha talher, prato e ele disse que aguardaria. Almoçou neste dia e não parou mais e isso me incentivou". De lá pra cá, são seis anos de atendimento ao cliente na hora do almoço. "Comprei dez pratos, depois 15, corri na outra semana atrás de mais e hoje oferecemos marmitex e comida por quilo." Os salgados, tortas e pães, roscas e sonhos já somam 25 anos e estão no mix do Requinte Mineiro. "Isso faz parte da minha história, meu salgado é muito conhecido e minhã mãe fazia pão caseiro para sustentar a mim e meus 12 irmãos". Luzia conta que muitos pedem dicas para cozinhar melhor em casa. "Eu penso em escrever um livro sobre culinária e contar tudo. Recebo muitos elogios. É gratificante e acredito que as pessoas gostam e trazem amigos e familiares porque nossa comida caseira é de verdade. Não requentamos e é tudo fresquinho." O comércio da família emprega quatro pessoas e o desejo é de crescer. "No fim do ano, realizo um sonho: vou reformar minha cozinha". Nos fins de semana, Luzia deixa o forno e o fogão. Gosta de visitar restaurantes, provar novos temperos. "Gosto, faz bem".

Quentinhas para incrementar negócio
Ninguém entende melhor o seu negócio que o padeiro, administrador, confeiteiro e cozinheiro, Adilson Sardi, 43 anos. Aos 12 anos, entregava leite de porta em porta - das duas da manhã às 9 horas e logo passou a emendar a função com a de ajudante de padeiro. Aprendeu sobre confeitaria, trabalhou em grandes padarias e em 1999 decidiu ter a própria. Sem se estagnar, cinco anos depois, incluiu o serviço de marmitex para a freguesia. "A parte da manhã e da tarde eram fortes e decidi criar as quentinhas porque sabia que teriam lugar na hora do almoço. No primeiro dia foram 17, os dias de maior movimento registram 220. "A concorrência aumentou, mas investimos em um cardápio variado, fazemos cursos de atualização todos os anos e o disque-entrega representa 80% da produção." Graças a quem não pode cozinhar ou tem seus dias de aperto, o comerciante engrossa a clientela. "Conheço todo o meu processo e como sou eu mesmo que fabrico, consigo ter preços melhores. Sem contar que amo o que faço. Do pão francês ao bolo trufado, está no coração. Já passamos por crises, mas não me vejo fazendo outra coisa." A padaria de Adilson fica no Vivi Xavier, zona norte, emprega nove pessoas e, como o pãozinho que depende da fermentação para crescer, o comerciante prima pela qualidade para fomentar o seu negócio. (W.V.)


Sebrae ensina: "Não basta só saber fazer um bom arroz com feijão"

De acordo com a Consultora do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Paraná (Sebrae), Liciana Pedroso, cada empreendimento tem suas regulamentações e requer planejamento. "A de alimentos requer suas responsabilidades e deve atender todas as normas da Vigilância ao lidar diretamente com a saúde das pessoas. Além disso, deve se aperfeiçoar no dia a dia com as novas técnicas que surgem no dia a dia." A consultora também destaca a importância de entender o negócio. "Todo negócio exige o maior número de informações possível – produto, público, e quanto mais informação, melhor. Não basta apenas saber fazer um bom arroz com feijão", orienta. (W.V.)

Conquistar pelo estômago, a doce tarefa da família Franco
Um cardápio completo pede sobremesa e para quem não sobrevive sem um doce, seja após a refeição ou no meio do dia, a família Franco se encarrega de realizar mais que três desejos. O canudo de doce de leite, primeiro produto da empresa, a paçoca e o doce de leite tem tabuleiro garantido na casa de doces e massas Primavera. Em busca de independência, a massa passou a ser fabricada para dar forma ao canudo e hoje é também comercializada em padarias, supermercados e usada por pastelarias. Luiz Gonçalves Franco, 55 anos, tinha experiência como vendedor, entregador e era vendedor de milho e frango ambulante quando, em 1990, decidiu dar uma virada ao saber que a fábrica de canudo de doce de leite estava à venda. "Tive um bar e sabia que o canudo tinha saída." A esposa Vanilda, na época, era costureira e topou o desafio. "Desde que tivesse o meu salário." Hoje, não se arrependem, pois ver a prosperidade, para o casal, é sinal de reconhecimento à luta que souberam vencer. Das 20, 25 caixinhas vendidas ao dia, atualmente o número supera as 100 unidades. "Acordava às 4h30 e até às 11h precisava estar tudo pronto para o Luiz vender. Era um tachinho de fritar pastel e hoje nossa massa chega a Arapongas, Rolândia, Umuarama, Centenário do Sul," cita. No começo, eram 20 embalagens de massa, atualmente 1500 ao dia. "Dá para fazer pastel, canelone, lasanha..." Nesses 26 anos, o casal reforçou laços, passou dos 40 metros quadrados para 790 metros quadrados e se alegra de ver a satisfação de seus funcionários. O primeiro continua na empresa e hoje são 20 pessoas empregadas, sem contar os vendedores externos. "Sabemos de nossa responsabilidade e ficamos orgulhosos de a Vigilância Sanitária indicar nossa empresa como referência." Os filhos, Leonardo e Luis Fernando, sabem do esforço dos pais para manter o negócio e dão valor ao ganha-pão. A Gleba Primavera, onde a vida do casal começou, serviu de batismo os produtos Primavera e é ainda refúgio da família. (W.V.)


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