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‘Se vira nos 30’ - A dura realidade do desemprego

18 jul 2016 às 09:30

Não julgar o próximo e sua condição. O exercício pode ser árduo para o ser humano e também uma tarefa diária de compaixão. Uma escolha ou um ponto de vista sobre a realidade - para quem a encara. De acordo com dados do IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, no Brasil, são atualmente mais de 11 milhões de desempregados. A Campanha da fraternidade de 2016, por sua vez, chama a atenção para a questão do saneamento básico no Brasil e sua importância para garantir desenvolvimento, saúde integral e qualidade de vida para todos. Entretanto, sem uma fonte de renda e um trabalho, manter um padrão de vida com o dignidade fica inviável. Com gente desempregada sobrando e postos de trabalho minguando, quem não consegue uma oportunidade precisa se virar do jeito que pode para conseguir um trocado e colocar comida em casa. A reportagem do NOSSODIA conheceu a rotina de duas famílias, que em circunstâncias diferentes, perderam o trabalho, querem voltar ao mercado, mas ainda não conseguiram realizar o que julgam um sonho nos dias atuais.


Esperança no ar
Quanto mais vento, melhor para o operador de empilhadeira desempregado, Charles Januário da Silva, 43 anos, mostrar do que é capaz o seu superbolha, um brinquedo de fazer bolhas de sabão gigantes que ele mesmo criou. As demonstrações ao ar livre, ao sabor da brisa, são tentativa de vender o produto feito artesanalmente com o objetivo de ajudar na renda da família. "Minha esposa faz curso de Estética e é manicure, recentemente fiz bico como motorista de empresa de caçamba, mas já sabia que era temporário." A cada 30 minutos, sai das mãos o superbolha colorido. "A base é um cabo de vassouras. Eu revisto com adesivos coloridos, faço o arco com arame e depois tranço a lã. Quanto mais trançado, maiores e mais bolhas faz", explica. "Dia desses uma senhora comprou três e depois veio agradecer. Ela disse que os netos saíram do celular, do computador. E eu fiquei muito feliz." Mas Charles mantém as expectativas de conseguir trabalho. "Meu último emprego foi numa terceirizada da Sanepar. Eu operava retroescavadeira, fiquei por oito meses, mas após uma nova licitação oito trabalhadores precisaram ser dispensados e eu fui um deles." Charles tem quatro filhos. "Não queremos sair de Londrina. É um lugar muito bom para viver e agora tenho fé, vou conseguir um trabalho. O Brasil está passando por um momento difícil, tem dia que vende três, tem dia que não vendo nada". O telefone do Charles é 8428-6229. (W.V.)


Sine aponta perspectivas positivas
De acordo com o gerente do Sistema Nacional de Emprego (Sine) de Londrina, Milton Velei, as pessoas devem ser persistentes e preencher o cadastro no Sine. "A recolocação não é de um dia para o outro, mas esse mês Londrina apresentou números positivos e temos vagas compatíveis com os dois casos citados constantemente". Velei orienta o trabalhador a não desanimar. "Precisa ser persistente e criar um roteiro diário. Por exemplo, passa no Sine pela manhã e se não houver a vaga almejada, ir a outras agências privadas e também procurar empresas, pois algumas admitem diretamente. Nada impede por exemplo que o trabalhador deixe seu currículo em um restaurante." Velei lembra que a indicação de conhecidos também é um fator que influencia no preenchimento de vagas. Portanto, toda atenção é válida. "Não pode desanimar", reforça. (W.V.)


Fotos: Walkiria Vieira

Renata Oliveira: "Meu último emprego foi em um frigorífico de aves"

Um trabalho para ser feliz
A fala delicada da desempregada Renata Rodrigues de Oliveira, 39 anos, se opõe a seu fardo. Natural de Lins, ela tem duas filhas, de 7 e 12 anos, mora próximo ao Distrito da Warta e, enquanto as meninas estão na escola, Renata senta no chão, estende uma das mãos e oferece balas de goma a quem passa pela primeira quadra do Calçadão. "O primeiro dia foi péssimo. Chorei muito, mas já entreguei currículo em Londrina inteira". Renata conta que a sua última experiência foi em um frigorífico de aves. "Trabalhei lá por dois anos e três meses, era registrada como ajudante de serviços gerais porque também lavava as máquinas - em três minutos cortava um frango inteiro e separava todas as partes." Por circunstâncias da vida, deixou o marido em Minas Gerais. "Ele começou a beber e a bater nas meninas", resume. Escolheu Londrina porque alguns primos moram aqui. "Desde criança trabalho. Ia pra roça, sei fazer faxina e também já fui auxiliar de cozinha." Com uma marmitex embalada quando já passa das 15 horas, explica. "Eu ganhei, mas vou levar para as minhas filhas jantarem. A gente está sem gás e sem luz. São três talões sem pagar e mesmo eu juntando moedinha por moedinha, nem sempre dá para pagar as contas." Renata diz que ganha um cesta básica de um senhora que também conseguiu vaga para as filhas em uma escola no centro de Londrina. "De noite, às vezes deixo irem na vizinha ver Carrosel porque elas sentem muita falta da televisão". Só perto da meia-noite Renata diz que vai dormir. "Eu chego e saio atrás de lenha para esquentar comida e água. Eu aguento banho gelado, mas as meninas não. Então, esquento água para elas." Renata tem esperança de conseguir um trabalho. Com o sonho de conquistar um emprego, mesmo que inibida, Renata narra sua história e o como se sente em relação ao momento que vive. "Precisa ter coragem para estar no meu lugar". Há um ano, Renata está nesta condição e quer mudar. "Nem que fosse para varrer rua, iria ficar mais feliz." O telefone da Renata é 9836-0648.(W.V.)


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