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Saúde- Trânsito do barulho

Walkiria Vieira
NOSSODIA
17 set 2015 às 10:05

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Walkiria Vieira
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É a bordo de sua motocicleta 150 cilindradas que o mototaxista Antonio Carlos Carvalho, 54 anos, passa a maior parte do tempo. Por dia, o profissional roda 200 quilômetros e durante a semana a média passa dos mil. Diante do vai-e-vem, Carvalho admite que chega em casa quebrado de cansaço. "Tem que me adular bastante para eu jantar, porque a vontade é chegar em casa, tomar um banho e dormir direto". De acordo com um estudo do National Institute on Deafness and Other Communication Disorders (Instituto Nacional de Surdez e Outras Doenças de Comunicação), dos EUA, uma moto emite ruídos em torno de 95 decibéis (dB). Ou seja, o cansaço do trabalhador tem explicação. "A exposição prolongada ao barulho de uma motocicleta pode causar nos pilotos a Perda Auditiva induzida por Níveis de Pressão Sonora Elevados (Painpse).
A situação piora porque muitos motociclistas alteram o sistema de escapamento, utilizando ponteiras esportivas, que elevam ainda mais o nível de ruído. "A grande preocupação dos especialistas é essa perda é cumulativa", explica a fonoaudióloga Isabela Carvalho, da Telex Soluções Auditivas. Ela lembra, no entanto, que existem pessoas mais e menos suscetíveis aos altos ruídos. "O ideal é consultar um médico otorrinolaringologista para avaliar se já existe alguma perda auditiva", recomenda. Assim, dá pra entender porque a zoeira no ouvido também é um dos motivos do estresse do mototaxista. "É ronco pra todo lado. Passa escapamento aberto que não dá pra aguentar", desabafa Carvalho.

Em casa, som baixo e sossego
Também mototaxista, Aparecido Donizete Rossetti, 60 anos, explica que já são 29 anos pilotando a máquina. "O trânsito é muito tenso. Eu mesmo já tive dois acidentes vascular cerebral, um em 2012 e outro agora, em 2015. Mesmo assim, tenho que enfrentar o trânsito. Crio dois netos e tenho que superar o cansaço". O trabalhador explica que passa 12 horas em cima da moto por dia. "Procuro controlar o barulho que vem no ouvido. A gente passa por carro, moto, trator, atravessa a cidade e tem que se cuidar pra não ficar irritado, até porque esse barulho não tem como mudar. Mas em casa eu quero sossego. Som baixinho, silêncio e paz". O entregador José Joaquim Rodrigues, 50 anos conta que antes mesmo de completar 18 anos já rodava de moto. "O capacete abafa um pouco o som, diminui o barulho e somado ao congestionamento, aos maus motoristas, o fluxo intenso e à falta de gentileza, o barulho é um fator de estresse e quando estou em casa, quanto mais baixo o volume, melhor". (W.V)


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