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Salário de patrão - Concurso tem 100 vagas para escrivão de polícia

19 set 2018 às 19:46

O concurso que muita gente estava aguardando, enfim, está com as inscrições abertas. A Polícia Civil do Paraná publicou o edital do processo seletivo para preenchimento de 100 vagas imediatas e cadastro de reserva de escrivão de polícia em todo o Estado. O cargo exige o nível superior completo em qualquer área de formação. A remuneração inicial é de R$ 5.752,41 para uma jornada de 40 horas semanais.
As inscrições para o concurso foram abertas na segunda-feira (17), seguem até o dia 9 de outubro e podem ser feitas no site www.cops.uel.br. A taxa custa R$ 120,00 e as provas serão realizadas no dia 18 de novembro em Curitiba, Londrina e Cascavel. Serão 30 vagas para Curitiba, 20 para a região metropolitana da capital e as demais para o interior.
O sonho de integrar o quadro da Polícia Civil e a estabilidade financeira movem uma galera que buscará uma destas 100 vagas. Pelos cursinhos de Londrina, muita gente já queima os neurônios para aprender um pouco mais antes da prova. Alexandre Fogaça, de 44 anos, é um do "grupo dos divididos". Representante comercial, ele vem se preparando há três anos e está na recém iniciada turma do Curso Saber, de Londrina, específico para este processo seletivo. "Estabilidade. Com essa crise, você ter um cargo público é melhor que estar no privado. É também um sonho que tenho, porque tenho parentes na polícia e sempre me identifiquei com a área". Sobre a defasagem do quadro de agentes, Fogaça diz que "faz parte". "A gente pensa sobre, mas é coisa da profissão. Se está disposto a entrar, tem que saber o que é bom e o que é ruim", completou, dizendo que já prestou dois concursos da Polícia Civil em São Paulo.
Zootecnista de formação, Anelissa Schiarolli diz que o sonho de entrar na polícia sempre falou mais alto. "Prestei o concurso da PF (Polícia Federal) na semana passada e também já fiz o da PRF (Polícia Rodoviária Federal). Agora estou tentando para a Civil. Meu desejo é PF ou Civil". Com 31 anos, Anelissa deu um tempo na profissão e agora é "concurseira". "Também queria o cargo de investigadora, mas sei da importância do escrivão, principalmente no auxílio ao delegado e nas oitivas. O importante hoje é entrar na Polícia Civil. Já ficaria realizada".
Aos 40 anos, Almir Rogério Lopes Franciscão é cego de nascença. Antes do concurso para escrivão, ele já havia tentado ingressar Receita Federal, onde prestou concurso em 2005. "Entrar na carreira pública garante estabilidade no presente e também no futuro. O setor privado é instável e incerto", justificou. Com relação à sua deficiência, Almir não acredita que se caso aprovado, não terá dificuldades. "Pelo fato de existir uma lei específica que garante os direitos dos portadores de deficiência, é necessário que o órgão adapte o ambiente de trabalho às minhas necessidades", completou. No edital do concurso, 5% das vagas são destinadas aos portadores de alguma necessidade especial. (Edson Neves/NOSSODIA)

O que faz um escrivão?
Zorá Nepomuceno é escrivã da Polícia Civil desde 1986. Com mais de 30 anos de profissão, ela conta um pouco da sua rotina. "A informação do crime é repassada ao delegado, através de B.O. ou denúncias, por exemplo, e então nós detalhamos e formalizamos os procedimentos ao delegado. Quando há apreensões, detalhamos os bens nos ofícios, como um perito judicial". O escrivão também é responsável por uma série de outras coisas. "Comunicamos o MP sobre as prisões, solicitamos perícias e exames, formalizamos inquéritos, carimbos, remessas, ficamos responsáveis pelos prazos de audiências e também fazemos oitivas de testemunhas e policiais", completou. Hoje, Zorá afirma ter uma média de 400 inquéritos para finalizar. "É muito trabalho e responsabilidade, mas eu amo o que eu faço". (E.N).

É pouco, mas ajuda
O presidente do Sindipol (Sindicato dos Policiais Civis de Londrina e Região), Michel Franco, afirma que as vagas ofertadas não suprem o atual quadro de agentes da Polícia Civil em Londrina e no Paraná. "O efetivo policial ainda está abaixo do desejado. Por exemplo, o Piauí que é o Estado mais carente em recurso financeiro, tem um policial a cada 1.700 habitantes. No Paraná, um policial para cada 2.600 habitantes e em Londrina o número seria de um para mais de 4 mil pessoas. Como pode ter um serviço de qualidade para tanta gente?", questiona. "Essas 100 vagas não supre nem os escrivães que se aposentariam esse ano, que seriam por volta de 130. Mas já é um grande passo. Espero que esse concurso possa ser ampliado posteriormente, porque quem ganha é a população. Hoje, não é o momento de avançar, e sim de recuperar o terreno perdido de décadas de abandono", concluiu. (E.N)


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