Uma sinalização digna de blitz. Assim está a rua Ângelo Flamingnam, na continuação da Rua Charles Lindemberg, no Jardim Califórnia, zona leste. A rua, que faz divisa com os fundos do Parque Arthur Thomas, tem cones para a redução da velocidade muito parecidas com as utilizadas pela Polícia. E foi os próprios moradores os responsáveis pela atitude.
"O pessoal vinha correndo e a rua é sem saída. Com os cones ali, chama a atenção do motorista e faz ele parar. O pessoal fica esperto", disse o porteiro Marcelo Pintar, que é morador do bairro há apenas um ano. Só que a medida vem de tempos. E quase foi preciso uma tragédia acontecer para as coisas mudarem.
"Isso foi há uns seis anos. As crianças estavam brincando na rua e um carro passou com tanta velocidade que ‘tirou casquinha’ da criança. Imagina se tivesse atropelado?", dispara a operadora de telemarketing, Glaucia di Tiglio. "Quando construíram aqui, a rua não tinha pavimentação e o fluxo de carros era menor. Aí asfaltaram e o povo começou a correr. Não sabem que é a rua sem saída. Isso é que tem placa indicando. Mas ninguém lê. Eles só paravam pouco antes de bater no muro de alguma casa. Com isso, tivemos que tomar uma medida popular mesmo", completa.
A placa indicando "Rua sem saída" está 150 metros antes dos cones, de maneira visível. Da placa até a curva, são 70 metros. Outros 80 são precisos até chegar à sinalização. "A velocidade é 40 km/h, mas os carros vêm em alta velocidade. Não adianta", lamenta a moradora.
São três cones em cada lado, o que obriga o motorista a fazer um movimento de zigue-zague na rua. E para quem pensa que é fácil tirar o cone dali, está enganado – eles estão cheios de cimento por dentro, ficando pesados. "Geralmente quem extrapola na velocidade são motoristas que não moram na região, mas justamente por isso é que deveriam andar em baixa velocidade. Não conhecem o bairro e não avistam a placa de rua sem saída", conclui.