Londrina registrou mais um latrocínio no fim de semana, quando um jovem de 18 anos teria sido executado por não entregar seu aparelho celular. Por causa da gravidade, o roubo seguido de morte é um dos crimes hediondos do Código Penal Brasileiro e prevê pena de reclusão de 20 a 30 anos. Apesar do longo período atrás das grades, os bandidos não demonstram muita preocupação. De acordo com o levantamento da reportagem, 2017 já registrou sete latrocínios. A maior parte na zona norte. Em 2016 foram quatro casos.
Lucas Ricardo Francisco, 18 anos, foi a última vítima. Ele foi baleado na noite de sexta-feira, na rua Araci de Almeida, Conjunto Vivi Xavier, zona norte. Socorrido pelo Siate, o jovem ainda foi encaminhado ao Hospital Universitário, porém não resistiu e morreu durante a manhã de sábado.
O jovem saia de uma festa de formatura na Escola Lucia Barros Lisboa. A vítima teria sido abordada por dois homens, que estavam em uma motocicleta. Lucas estaria acompanhado da irmã. O diretor em exercício da escola confirmou que a irmã do rapaz é aluna do centro de educação, porém negou que a vítima estudava no local. O diretor confirmou que momentos antes do crime ocorreu uma formatura no local, mas não quis comentar sobre o caso.
Após ser baleado em frente ao portão, a vítima deu alguns passos e caiu em frente ao imóvel da aposentada Nádia Aparecida. "Moro neste bairro desde 1989 e ainda não tinha presenciado algo tão chocante. Pelo barulho, achávamos que era uma bombinha. O menino foi baleado em frente ao portão da escola, caminhou alguns metros e caiu no portão da minha casa", relembra a aposentada. "A sensação de insegurança já existia, mas agora aumentou", acrescenta. (Paulo Monteiro/NOSSODIA)
VÍTIMA POR VÍTIMA
12 de janeiro - Tereza Fausto Cruz, 73 anos, morreu carbonizada durante um incêndio que atingiu, na rua Adalberto Carvalho Neves, Conjunto Milton Gavetti, na zona Norte. Dois suspeitos teriam invadido a residência casa para roubar. Após o assalto, eles teriam incendiado o imóvel com ela dentro. A dupla acabou detida.
20 de março - Teruko Kobayashi, 64 anos, foi encontrada enforcada dentro da própria casa, na rua Iguape, Vila Nova, Centro. Os vizinhos da residência relataram à polícia que um homem foi visto pulando o muro da casa minutos antes. Um suspeito foi preso.
23 de março - Gilmar Rolim Oliveira, 55 anos, foi encontrado morto em um apartamento na rua Pará, esquina com a Uruguai, Centro. Ele estava com pés e mãos amarrados. Seu Toyota Corolla foi encontrado horas depois na zona norte. Um suspeito foi preso.
30 de junho - Elivaldo Noqueli, 38 anos, foi morto a tiros na rua Capitão João Busse, 703, Jardim Califórnia, zona Leste, dentro de uma casa. Ele teria resistido a um assalto. (não há informações sobre a prisão do suspeito).
7 de agosto - Fernando José Jora, 27 anos, foi morto a tiros em frente a própria casa na rua Caroline Vendrame Vaz Primo, Jardim Continental, zona Norte. Dois suspeitos foram detidos pelo crime.
27 de novembro - Ricardo Indeo, 39 anos, foi morto com um tiro na cabeça no interior da própria residência, na rua dos Carpinteiros, Chefe Newton, zona Norte. Dois suspeitos foram presos.
16 de dezembro - Lucas Ricardo Francisco, 18 anos, foi ferido com um tiro no tórax na rua Araci de Almeida, Conjunto Vivi Xavier, zona Norte. O jovem saía da formatura de uma escola quando recebeu voz de assalto de um homem armado, mas se negou a entregar seu aparelho celular. Ele foi socorrido e morreu horas depois no Hospital Universitário. Até o fechamento desta edição, não havia informações sobre os suspeitos. (P.M.)
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POLÍCIA MILITAR
Muitas vítimas de assalto são mortas após reagirem. Comandante da 4ª Companhia Independente, responsável pela segurança da região norte e bairros das zonas leste e oeste, o major Nelson Villa Junior faz alguns alertas. "Ressaltamos e orientamos a prevenção. Há o risco de que o assalto evolua para o latrocínio, por isso a vítima não deve tomar atitudes precipitadas. Apesar do direito de defesa por parte do cidadão ser legítimo por lei, ele pode ser inviável. Além da possibilidade de o bandido estar armado, pode também estar acompanhado", destaca o major.
"Tivemos casos recentes em que os assaltantes foram detidos e os bens recuperados devido ao rápido acionamento por parte das vítimas pelo telefone 190", acrescenta. "Agilidade da informação contribui para ação policial. Hoje temos um poder humano/logístico superior há outros momentos. Distribuímos nossas equipes por regiões próximas e distantes da unidade, o que permite o deslocamento rápido, além da realização de abordagens e patrulhamentos", diz Villa. (P.M.)