Com a intenção de inibir a atuação dos ladrões, ciclistas tentam divulgar os casos pelos grupos de "WhatsApp". Trocando mensagens, eles ainda compartilham os momentos de terror durante os assaltos e alertam os que ainda não sofreram na "mão" da bandidagem. "Como ciclista, ainda não fui atacado. Mas participo de grupos e tenho lido e escutado muito relatos sobre o assunto. Os criminosos estariam usando uma caminhonete (Chevrolet) S10, de cor prata, para roubar e levar as bicicletas das vítimas", comenta o empresário Fábio Zocoloto Portilho.
Ele explica que os bandidos são violentos e costumam perseguir as vítimas que não entregam as "magrelas" facilmente. "Os roubos estariam ocorrendo na região do Lago Igapó. Inclusive, um casal foi assaltado no último domingo. No mesmo dia, fui até Arapongas participar de um passeio e encontrei alguns ciclistas que saíram de Londrina. Coincidentemente, escutei deles também que uma caminhoneta, com as mesmas características, teria perseguido o grupo na região do Lago Igapó, no domingo", revela o empresário. Os bandidos estariam oferecendo as bicicletas na internet.
Na terça-feira, a integrante de um dos grupos no "WhatsApp" relatou que pelo menos duas bicicletas foram roubadas durante um passeio na zona norte da cidade. Os bandidos também teriam usado uma caminhoneta S10 para atacar a turma de ciclistas, que também sofreu muitas ameaças.
José Márcio Ilkiu, superintendente da 10ª Subdivisão Policial (SDP) de Londrina, responsável pelo setor de furtos e roubos, explicou que, até a tarde de terça-feira, não tinha sido comunicado da ação criminosa. "Pessoalmente, ainda não recebi denúncias deste tipo de assalto em Londrina. A recomendação é que as vítimas e testemunhas venham até a 10ª Subdivisão Policial e me passe o maior número de detalhes. Assim como as características dos suspeitos e do suposto veículo utilizado. Além dos locais onde estariam sendo comercializados os produtos de roubos", reforça o policial civil. "A partir daí poderemos instaurar um inquérito policial e investigar os delitos", adianta Ilkiu, se colocando à disposição da comunidade na rua Sergipe, 52, Centro, de segunda a sexta-feira. O telefone para contato da 10ª SDP é 3377-2400.
A segurança ganhará um apoio da Guarda Municipal. A Secretaria Municipal de Defesa Social irá retomar o uso de bicicletas para o patrulhamento em áreas de lazer. A expectativa é que o trabalho seja iniciado nos próximos dias. Os guardas municipais irão, em dupla, percorrer áreas como o Lago Igapó, Zerão, barragem do Lago. Também em relação aos roubos e furtos de bicicletas, desde terça o NOSSODIA tenta obter informações sobre o número de ocorrências atendidas pela Polícia Militar em Londrina. Porém não obteve uma resposta até o fechamento desta edição. (P.M.)
Cadastro de bikes roubadas
De acordo com o levantamento (não oficial) do "Cadastro Nacional de Bicicletas Roubadas", disponibilizado no site "www.bicicletasroubadas.com.br", o Paraná está entre os três estados com maior índice de roubos e furtos no Brasil. A própria vítima cadastra o roubo ou o furto da bicicleta no site. O estado primeiro é São Paulo, com 1.039 furtos e 469 roubos, registrados nos últimos anos e atualizados em 2017. O segundo estado mais perigoso para o ciclista é o Rio de Janeiro: 432 furtos e 212 roubos. Já o Paraná registrou 318 furtos e 74 roubos nos últimos anos. A sequência é a mesma quando a comparação é entre cidades. As capitais dos três primeiros estados assumem o "top 3" do ranking, respectivamente. São Paulo: 622 furtos, 207 roubos. Rio de Janeiro: 354 furtos, 190 roubos. Curitiba: 259 furtos e 56 roubos. Londrina figura entre os 30 municípios: registrou 13 furtos e cinco roubos, segundo Cadastro Nacional de Bicicletas Roubadas. (P.M.)
Invasão de residência
Porém a quadrilha não age apenas em locais públicos. Sérgio Aparecido Fonseca teve a bicicleta levada de dentro de casa, na rua Alagoas, centro de Londrina. Segundo ele, nem mesmo as câmeras de segurança e o sistema de alarme da residência impediram o furto do bem móvel. "Pelo que notei nas imagens, os bandidos sabiam muito bem o que queriam. Havia ainda outros objetos de valor no local, mas eles foram diretamente na minha bicicleta, que demorei três anos e gastei um bom dinheiro para deixá-la como eu queria", relembra Fonseca. Segundo ele, os bandidos conhecem muito bem as bicicletas e sabem do alto valor de cada uma. "Fiquei sabendo que eles (ladrões) abordam os ciclistas e ainda perguntam pela marca que querem roubar", comenta. Desde que perdeu a "bike", Fonseca passou a tomar alguns cuidados. "Atualmente eu não saiu para passear durante a noite. Além disso, comprei uma bicicleta menos sofisticada, não tão cara, para evitar chamar tanto a atenção dos bandidos", complementa Fonseca. (P.M.)