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Retrato do abandono

06 nov 2014 às 08:13

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Quem procura pelo Centro Comunitário do Conjunto Avelino Vieira (Zona Oeste de Londrina) e não conhece bem o bairro é pego de surpresa ao dar de cara com uma construção abandonada, tomada pelo mato e sem trancas nas portas e janelas. Se do lado de fora o alambrado destruído e a sujeira causam má impressão, do lado de dentro a coisa é ainda pior. Uma pilha de carteiras que antes eram usadas para ensinar está esquecida no tempo. Há sujeira para todo lado e restos de material de construção e lixo.
Morador do bairro há 34 anos, Vicente André Lima, 80 anos, não esconde o descontentamento. "Virou uma lama. Já foi muito zelado e virou mocó. E olha que a polícia fica em cima, mas não dá conta", lamenta. Um outro morador que preferiu não se identificar reforça a desolação. "Eu nasci aqui e morei até meus 20 anos de idade. Depois fui morar fora do Brasil e ainda venho para visitar os antigos vizinhos; é muito triste ver isso. No prédio (do Centro) eu fiz o pré-primário. Agora nem velório mais é possível fazer porque até os fios foram roubados", fala. Ele completa que além do prédio estar caindo aos pedaços, a rua não tem asfalto e faltam lâmpadas nos postes. "Isso tudo desanima (os moradores)", conclui. (Walkiria Vieira/NOSSODIA)

‘Ninguém se interessa’
Morador do bairro há 34 anos, Miguel Fonseca de Paula, 67, é um representante dos moradores e também não esconde seu descontentamento. "Já faz 10 anos que tento a reforma e fui atrás de tudo (Cohab, Prefeitura, entre outros órgãos), mas dizem que a obrigação é nossa. Eu me sinto abandonado e não sei se é porque aqui é divisa com Cambé. Bem dizer, a cidade toda tá assim. Antigamente, quando tinha reunião, ficava gente sentada do lado de fora ouvindo os assuntos. Hoje, ninguém se interessa. Ainda fui atrás, de porta em porta, com o orçamento em mãos para reformar. Ficava em R$ 14 mil. Seria R$ 25 pra cada um, mas só 25 pagaram e eu tive que voltar de porta em porta para devolver o dinheiro", aponta. (W.V.)

Resposta
De acordo com a assessoria de comunicação da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), os moradores receberam uma concessão para construção e utilização do local. Por isso, como disse o morador Miguel de Paula, a responsabilidade pela conservação e manutenção do Centro Comunitário seria, de fato, dos próprios moradores do bairro. (W.V.)
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