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Resiste firme e forte - Uma casa com história pra contar

Walkiria Vieira
NOSSODIA
09 jul 2015 às 10:00

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Walkiria Vieira
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O tempo passou, mas não mudou a essência da família Raposo. Em uma das poucas casas de madeira que resistem em uma região cercada por clínicas médicas, hospitais e consultórios na Vila Ipiranga, em Londrina, estão de pé, firmes e fortes, a casa e sua guardiã, Maria Luiza Raposo, 89 anos. Na beira do fogão, Maria Luiza termina de passar um cafezinho preto. Com uma toalhinha, cobre o fogão em sinal de capricho e familiares tomam uma fresca na área da casa. É dia de semana, fim de tarde de outono e fazer companhia à mãe, é rotina. Quando veio de São João Nepomuceno, Maria Luiza estava lado a lado com o marido, Joaquim Raposo. Só namorou ele e a história de amor começou quando ela tinha 14 anos. Tiveram dez filhos, a caçula, Raquel, já faleceu. Mas em coro, Regina Celia, Joaquim Filho, Celia Regina, Julia Maria, Jucelia Regina, Jussara, Jucelino, Vandenberg e Sara Regina destacam o orgulho que sentem da mãe. "Ela é uma guerreira", repetem. "Minha mãe é uma das fundadoras desse rua. Quando chegou, lavava roupa pra fora e os dez filhos entregavam." Lembranças como essa são a base dos filhos.

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Banho de bacia, bacia de broa
O Zerão era buracão. Buracão do Azevedo, assim era chamado e quando buscavam lenha, passavam pelos eucaliptos e traziam tudo na cabeça. "Se tivesse que voltar no tempo, não mudaria nada", diz Regina Celia, uma das filhas. O amor pela mãe, pela casa e pela história que construíram juntos é orgulho para os Raposo. "Nunca ninguém bateu nessa porta para fazer uma cobrança. O pai e a mãe nunca deixaram faltar arroz e feijão e quando a gente chegava da escola, dava pra sentir o cheiro de broa de fubá. Ela fazia na penela de ferro, no fogão à lenha e era de baciada", recordam os irmãos. No quintal, as plantinhas é que dão o tom. O asfalto demorou a chegar e quando o primeiro neto nasceu, 42 anos atrás, a rua ainda era de terra. "A mãe dava banho um por um e ia colocando na cama. Esquentava água na lata e o banho na bacia era morninho", diz Regina Celia. Ao lado, dona Maria Luiza ouve, confirma tudo e sorri. Lúcida, complementa as informações e diverte-se na roda de prosa. E para quem achava que aquela era uma casa de boneca, tá aí uma casa cheia de história de gente de verdade. (W.V.)

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