As fazendas do passado neste espaço único de Londrina deram lugar a avenidas, indústrias e comunidades, onde os moradores confirmam que o poder coletivo é uma ferramenta fundamental para superar as dificuldades e vencer desafios
Exemplo de cuidado com o próximo
Neste segundo caderno especial em comemoração ao aniversário de 80 anos de Londrina, destacamos a região Oeste. Uma das grandes qualidades dos moradores dessa parte da cidade é não ficar aguardando o "desenvolvimento chegar". A galera por lá arregaça as mangas e busca transformar suas comunidades com a força do trabalho e da união de todos
São muitos os exemplos desse espírito. Um deles é o da moradora do Jardim Maracanã, Noêmia Inácio Ramos, 56 anos. Pernambucana de Limoeiro, ela chegou à Londrina com a família aos quatro anos de idade. "Meu pai veio para o Paraná em busca de trabalho e devo muito a essa cidade. Conheci meu marido aqui, tivemos nossas oportunidades de emprego e também nossa casa. Pude criar meus filhos nessa cidade, que amo muito e que sempre me deu muita sorte e felicidade. Não saio mais daqui e sempre tento retribuir tudo o que Londrina me deu", exalta Noêmia.
Há 14 anos a doméstica atende quase 200 crianças carentes de quatro bairros da Zona Oeste. "Tudo surgiu no ano 2000, quando fui convidada a fazer parte da Pastoral da Criança (organismo ligado à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), com o objetivo de desenvolver integralmente crianças entre zero e seis anos em ambiente familiar", conta. "Visitamos famílias, orientamos as mães sobre a alimentação e acompanhamos o desenvolvimento escolar e físico dos filhos", explica.
Mãe de quatro filhos e avó de oito crianças, Noêmia precisa se desdobrar para dar atenção à própria família, trabalhar como diarista e ainda se dedicar à atividade voluntária. "Gostaria de ter mais tempo para atender as crianças. Vê-las se desenvolvendo é o que mais me estimula dentro da Pastoral da Criança", ressalta. (Paulo Monteiro/NOSSODIA)
São muitos os exemplos desse espírito. Um deles é o da moradora do Jardim Maracanã, Noêmia Inácio Ramos, 56 anos. Pernambucana de Limoeiro, ela chegou à Londrina com a família aos quatro anos de idade. "Meu pai veio para o Paraná em busca de trabalho e devo muito a essa cidade. Conheci meu marido aqui, tivemos nossas oportunidades de emprego e também nossa casa. Pude criar meus filhos nessa cidade, que amo muito e que sempre me deu muita sorte e felicidade. Não saio mais daqui e sempre tento retribuir tudo o que Londrina me deu", exalta Noêmia.
Há 14 anos a doméstica atende quase 200 crianças carentes de quatro bairros da Zona Oeste. "Tudo surgiu no ano 2000, quando fui convidada a fazer parte da Pastoral da Criança (organismo ligado à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), com o objetivo de desenvolver integralmente crianças entre zero e seis anos em ambiente familiar", conta. "Visitamos famílias, orientamos as mães sobre a alimentação e acompanhamos o desenvolvimento escolar e físico dos filhos", explica.
Mãe de quatro filhos e avó de oito crianças, Noêmia precisa se desdobrar para dar atenção à própria família, trabalhar como diarista e ainda se dedicar à atividade voluntária. "Gostaria de ter mais tempo para atender as crianças. Vê-las se desenvolvendo é o que mais me estimula dentro da Pastoral da Criança", ressalta. (Paulo Monteiro/NOSSODIA)

Bar ‘Quebra-molas’
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Ao entrar, a chance de travar a língua ao pronunciar o nome do estabelecimento é grande. Aumenta ainda mais quando o cliente vai embora, depois de duas ou três doses. Brincadeiras à parte, o bar "Quatro quebra-molas" resiste ao progresso e se mantém como o mais antigo da região Oeste, segundo o atual proprietário, Ricardo Fertonani. O comércio, garante o dono, existe há décadas na esquina da avenida Virmond Carnascialli com a rua Castanheiras, no coração do Jardim Leonor.
O nome, obviamente, vem da localização. O ponto fica no meio de quatro quebra-molas, dois em cada uma das vias. "Tem senhor que vinha quando era adolescente e até hoje frequenta o bar", reforça Fertonani.
O lugar é simples, mas honesto. As paredes estampam escudos dos times de futebol mais populares do país e, é claro, do Tubarão. Curiosidade que deixou o comércio conhecido também em toda a cidade. "O pessoal vem assistir partidas de futebol aqui, tomar cervejas, jogar baralho ou simplesmente conversar com os amigos", observa o comandante do Quatro Quebra-Molas. (Paulo Monteiro/NOSSODIA)
O nome, obviamente, vem da localização. O ponto fica no meio de quatro quebra-molas, dois em cada uma das vias. "Tem senhor que vinha quando era adolescente e até hoje frequenta o bar", reforça Fertonani.
O lugar é simples, mas honesto. As paredes estampam escudos dos times de futebol mais populares do país e, é claro, do Tubarão. Curiosidade que deixou o comércio conhecido também em toda a cidade. "O pessoal vem assistir partidas de futebol aqui, tomar cervejas, jogar baralho ou simplesmente conversar com os amigos", observa o comandante do Quatro Quebra-Molas. (Paulo Monteiro/NOSSODIA)

Tiradentes dá boas-vindas a quem chega
Uma das principais vias da Zona Oeste, a avenida Tiradentes é uma das mais importantes também de toda Londrina e suporta dia e noite grande fluxo de veículos leves e pesados que entram e saem da cidade. A artéria é uma das principais rotas para grande parte da população que mora na região acessar o Centro da cidade.
É nela que está localizada uma das principais indústrias de café solúvel da América do Sul, a Cacique, que emprega centenas de funcionários de Londrina e região. É na avenida Tiradentes que fica o tradicional Parque de Exposições Ney Braga. Por ser sempre muito movimentada, acabou se fixando como o enderenço da maioria das concessionárias de veículos do município. Destino certo para quem está procurando um possante "zero km" ou seminovo.
Quem circula pela Tiradentes também pode acessar outras avenidas – como a Arthur Thomas e Maringá - e bairros da região – Leonor, Bandeirante e Shangri-lá, por exemplo. Nela também foi inaugurado em 1973 o Shopping Com-Tour, considerado o mais antigo do Sul do Brasil. Além de lojas, supermercado, postos bancários, o empreendimento abriga uma sala de cinema que hoje é administrada pela Casa de Cultura da Universidade Estadual de Londrina.
Na Zona Oeste também está um dos primeiros centros comerciais da região Norte do Paraná, o Mercado Shangri-lá, que resiste bravamente como um dos espaços de compras mais tradicionais de Londrina. No passado, a região compunha a Fazenda Coati, que pertencia ao presidente do Estado do Paraná, Affonso Camargo, antes mesmo de Londrina ser fundada. A propriedade possuía aproximadamente 2.900 hectares e ia desde onde hoje fica a Avenida Tiradentes até o Ribeirão Quati. (Paulo Monteiro/NOSSODIA)
É nela que está localizada uma das principais indústrias de café solúvel da América do Sul, a Cacique, que emprega centenas de funcionários de Londrina e região. É na avenida Tiradentes que fica o tradicional Parque de Exposições Ney Braga. Por ser sempre muito movimentada, acabou se fixando como o enderenço da maioria das concessionárias de veículos do município. Destino certo para quem está procurando um possante "zero km" ou seminovo.
Quem circula pela Tiradentes também pode acessar outras avenidas – como a Arthur Thomas e Maringá - e bairros da região – Leonor, Bandeirante e Shangri-lá, por exemplo. Nela também foi inaugurado em 1973 o Shopping Com-Tour, considerado o mais antigo do Sul do Brasil. Além de lojas, supermercado, postos bancários, o empreendimento abriga uma sala de cinema que hoje é administrada pela Casa de Cultura da Universidade Estadual de Londrina.
Na Zona Oeste também está um dos primeiros centros comerciais da região Norte do Paraná, o Mercado Shangri-lá, que resiste bravamente como um dos espaços de compras mais tradicionais de Londrina. No passado, a região compunha a Fazenda Coati, que pertencia ao presidente do Estado do Paraná, Affonso Camargo, antes mesmo de Londrina ser fundada. A propriedade possuía aproximadamente 2.900 hectares e ia desde onde hoje fica a Avenida Tiradentes até o Ribeirão Quati. (Paulo Monteiro/NOSSODIA)

Uma piscina cheia de histórias
Em 2014, assim como Londrina, o advogado Sebastião Nei dos Santos chega aos 80 anos de vida. Nascido em Tabatinga (SP), migrou aos 11 anos para Londrina. "Viemos atrás da minha avó para ficar perto dela e ficamos de vez", recorda. Filho único, Santos integrou a primeira turma de Direito da Universidade Estadual de Londrina (UEL), construiu família e suas duas filhas – Sílvia Lúcia e Ana Lúcia - seguiram a carreira do pai. Os três atuam no mesmo escritório até hoje.
Quando ainda eram meninas, o pai conta que elas começaram a se destacar nas competições de natação e ele uniu forças com lideranças na luta para que a UEL tivesse sua piscina olímpica para sediar competições. "Até convencer o pessoal não foi fácil, mas havia grupos de natação promissores na cidade. Ney Braga, era Ministro da Educação na época. Oscar Alves, reitor da UEL e todos foram protagonistas dessa conquista", compartilha o advogado. Em 1978, Santos foi testemunha do documento que firmava o compromisso e pouco depois de um ano, a piscina de 50 metros estava pronta e sediando competições.
Como reconhecida homenagem foi criado até um troféu com o nome Sebastião Nei dos Santos em um torneio estadual. "Foi uma felicidade muito grande para todos os companheiros. Muita gente ajudou e o esporte abre perspectivas não só no aspecto físico", comenta. "A natação é sensacional e até hoje admiro ver a Ana nadando. Não espirra uma gotinha de água", orgulha-se. Praticante de corrida de rua desde 1970, Santos tem três netos e uma neta. Sempre muito discreto, ele considera o esporte uma filosofia de vida. "É uma possibilidade de transformação para todos." (Walkiria Vieira/NOSSODIA)
Quando ainda eram meninas, o pai conta que elas começaram a se destacar nas competições de natação e ele uniu forças com lideranças na luta para que a UEL tivesse sua piscina olímpica para sediar competições. "Até convencer o pessoal não foi fácil, mas havia grupos de natação promissores na cidade. Ney Braga, era Ministro da Educação na época. Oscar Alves, reitor da UEL e todos foram protagonistas dessa conquista", compartilha o advogado. Em 1978, Santos foi testemunha do documento que firmava o compromisso e pouco depois de um ano, a piscina de 50 metros estava pronta e sediando competições.
Como reconhecida homenagem foi criado até um troféu com o nome Sebastião Nei dos Santos em um torneio estadual. "Foi uma felicidade muito grande para todos os companheiros. Muita gente ajudou e o esporte abre perspectivas não só no aspecto físico", comenta. "A natação é sensacional e até hoje admiro ver a Ana nadando. Não espirra uma gotinha de água", orgulha-se. Praticante de corrida de rua desde 1970, Santos tem três netos e uma neta. Sempre muito discreto, ele considera o esporte uma filosofia de vida. "É uma possibilidade de transformação para todos." (Walkiria Vieira/NOSSODIA)
